Fotografia: Underwood Archives/Getty Images
Para o homem que compreende que deixar algo de fora é tão importante como o que se leva.
Há um tipo de homem que costuma chegar ao seu destino amarrotado, sobrecarregado e vagamente frenético. A sua mala está no porão. Os sapatos não combinam. Fez as malas a pensar em imprevistos. Pois bem, este guia não é para ele. Este guia é para quem encara fazer a mala como uma arte. É para o homem que compreende que deixar algo de fora é tão importante como o que se leva. Ao longo de décadas de viagens de negócios, voos noturnos e viagens regionais de última hora, surgiu um conjunto de regras. Siga-as para deixar de ser o pobre coitado na esteira de bagagem.
O princípio é o seguinte: numa viagem de trabalho o estilo pessoal deve ser repensado através da eficiência. Não se trata de um compromisso. É uma disciplina. E, como todas as disciplinas, tem a sua própria estampa.
A regra das três cores
Organize o guarda-roupa de viagem em torno de três cores básicas: azul-marinho, branco e uma cor neutra (eu gosto do cinzento, mas o bege também funciona). Tudo combina. Nunca mais terá de ficar num quarto de hotel, às 7 da manhã, a pensar no que vestir. O guarda-roupa cápsula não é minimalismo pelo minimalismo em si, é uma estratégia inteligente que é adotada para facilitar a sua bagagem.
Vestido para voar
O aeroporto não é uma festa de pijama. Vista-se para o avião como se isso fosse importante. Porque é mesmo. Nada de calças de treino. Um par de calças chino descontraídas, uma camisola leve de manga comprida com gola redonda e uns ténis brancos impecáveis é a fórmula correta. Acrescente uma sobrecamisa estruturada ou um casaco de malha, que sirva também como camada extra durante o voo. Chegará com o ar de alguém que já fez isto antes, que tem experiência.
A regra do fato único
Se a sua viagem exigir formalidade, leve apenas um fato. Escolha um cinzento médio ou azul-marinho com uma mistura de lã para que não fique amarrotado durante o transporte. Um fato azul-marinho acompanhado de uma camisa de popeline branca e sem gravata transmite um estilo elegante e casual em Kuala Lumpur, assim como um visual profissional em Singapura. Não precisa de dois fatos, nunca são precisos dois fatos.
Coloque os sapatos por último, use o par mais pesado
Os sapatos são o inimigo de uma boa mala. Use o par mais volumoso no avião. Não leve mais do que dois pares adicionais: uns mocassins pretos (combinam com tudo) e uns ténis casuais que possam servir para uma sessão leve de ginásio. Encha-os com meias. Dica profissional: use toucas de banho de hotel a taparem as solas, para o resto da mala não se sujar.
Cuidados em viagem
A franquia de 100 ml não é uma limitação. Encare-a como uma disciplina. Um mini roll-on, um hidratante de viagem com fator de proteção solar, um tubo pequeno de pomada e um bálsamo labial de qualidade devem acompanhá-lo em qualquer viagem. Refresque-se antes de aterrar: salpique água fria no rosto, arrume o cabelo, reaplique um pouco do perfume do balcão de testes do duty-free (Le Labo é sempre uma escolha segura) ao passar por lá.
Enrole, não dobre
Malhas, calças, t-shirts e roupa interior devem ser enroladas. Enrolar a roupa reduz os vincos e poupa espaço, à exceção das camisas e blazers com estrutura, que devem ser dobrados com a gola virada para cima, e colocados por cima da restante roupa. Coloque os itens mais pesados na base da mala, perto das rodas, e o que vai precisar primeiro por cima.
O multiplicador de acessórios
Um relógio, um cinto de couro e uma mala versátil valem mais do que três camisas extra. Estes detalhes fazem com que um visual pareça pensado, e não apenas resultado de coisas atiradas à pressa para dentro da mala. Se quiser mudar de estilo numa viagem por várias cidades, troque de acessórios. Um blazer azul-marinho transmite um ar profissional como um "relógio" de vestir e vira indumentária de fim de semana se for acompanhado de um relógio de mergulho com bracelete de borracha. Dica de profissional: compre um relógio com uma bracelete que possa ser trocada.
Mantenha a calma, leve bagagem de mão
A bagagem despachada é uma situação de reféns. Uma mala de mão dá para uma viagem de três dias (ou cinco dias) se a fizer de maneira correta. Desloca-se mais depressa, evita a esteira de bagagem e nunca chega a lado nenhum sem as suas coisas. Os viajantes em negócios que despacham bagagem estão a pagar por um problema que eles próprios criaram. Seja mais esperto do que isso.
Originalmente publicado na edição de julho de 2026 da Esquire Portugal, disponível aqui.
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