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Quem é o artista favorito do seu artista favorito?

By Beatriz Fradoca 01 Apr 2026

Artwork de Ânia Figueiredo.

Há qualquer coisa de estranhamente reconfortante em perceber que os nossos ídolos também têm ídolos. Que, por trás de carreiras gigantes e números impossíveis, existem playlists pessoais, obsessões e nomes repetidos em entrevistas.

Quando Chappell Roan disse que era “a cantora favorita dos nossos cantores favoritos”, a frase ficou. Não tanto pelo efeito provocador, mas porque levanta uma questão simples e interessante: quem são, afinal, as referências de quem hoje domina a indústria?

Se há dias em que a leveza pop de Sabrina Carpenter ou Ariana Grande funciona quase como antídoto imediato, e outros em que se regressa, sem grande resistência, à melancolia de Gracie Abrams ou Taylor Swift, a pergunta impõe-se com uma curiosidade quase infantil: o que é que ouvem quando ninguém está a ver? Entre referências assumidas e influências mais subtis, eis os artistas favoritos dos nossos artistas favoritos.

Taylor Swift

Entre narrativas confessionais e reinvenções constantes, o universo de Taylor Swift constrói-se sobre bases sólidas. A artista aponta nomes como Joni Mitchell, James Taylor e Stevie Nicks como pilares, ao mesmo tempo que mantém um olhar atento ao presente, com admiração por Phoebe Bridgers, Lana Del Rey e HAIM. Curiosamente, também já afirmou que The National (banda de Aaron Dessner, um dos seus frequentes colaboradores) é a sua banda favorita, uma pista para a melancolia que atravessa parte da sua discografia.

Olivia Dean

A artista britânica constrói a sua identidade a partir de uma herança soul e profundamente emocional. Entre os nomes que mais a marcam estão Amy Winehouse, Carole King, Lauryn Hill e Sade Adu. A estes juntam-se referências intemporais como Aretha Franklin, Al Green, Paul Simon e Joni Mitchell.

Drake

No caso de Drake, o ADN é claramente hip-hop, mas com um forte peso histórico. O artista aponta The Notorious B.I.G., Jay-Z e Lil Wayne como influências diretas, ao lado de nomes como André 3000. A presença de figuras como Young Tony revela também a importância do contexto pessoal e das ligações mais próximas na construção do seu percurso.

Ariana Grande

Ariana Grande nunca escondeu a sua devoção a Imogen Heap, que descreve como a sua maior inspiração, sobretudo ao nível da produção. É uma escolha que ajuda a explicar a atenção ao detalhe e às texturas nas suas músicas. A nível vocal, o ponto de referência mantém-se claro: Mariah Carey continua a ser uma das suas maiores influências.

Rosalía

A artista espanhola, conhecida por cruzar tradição e vanguarda, aponta uma figura quase óbvia no seu panteão pessoal: Björk. Mais do que influência estética, trata-se de uma afinidade conceptual, uma abordagem à música como território experimental e profundamente autoral.

Rihanna

Rihanna sempre construiu o seu som a partir de referências muito distintas, cruzando épocas e géneros sem grande esforço. Entre os nomes que mais vezes apontou como influências estão Madonna, Bob Marley, Janet Jackson e Mariah Carey — artistas que ajudam a explicar tanto a sua abordagem visual como a forma como trabalha o pop, o R&B e o reggae.

Beyoncé

Entre o clássico e o contemporâneo, Beyoncé constrói a sua lista de referências. Já apontou Stevie Wonder e Marvin Gaye como influências diretas, além da herança da Stax Records. Ao mesmo tempo, acompanha a nova geração, destacando nomes como Raye, Victoria Monét, Chlöe x Halle, Reneé Rapp, Doechii e GloRilla — a par de escolhas menos óbvias, como Sabrina Carpenter e Chappell Roan.

Harry Styles

O universo artístico de Harry Styles é profundamente enraizado no cânone clássico. Elvis Presley, The Beatles, Fleetwood Mac e Paul McCartney são referências evidentes, a par de nomes como Coldplay, Van Morrison, Etta James e Crosby Stills & Nash. O resultado sente-se: uma estética nostálgica filtrada por uma sensibilidade contemporânea.

Laufey

No caso de Laufey, a ligação ao passado é quase estrutural. A artista constrói o seu som a partir do jazz clássico, com referências diretas a Ella Fitzgerald, Chet Baker e Astrud Gilberto. Mais do que influência, é uma continuidade, uma tentativa de trazer essa linguagem para o presente sem a diluir. 

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