Artwork de Ânia Figueiredo.
Há qualquer coisa de estranhamente reconfortante em perceber que os nossos ídolos também têm ídolos. Que, por trás de carreiras gigantes e números impossíveis, existem playlists pessoais, obsessões e nomes repetidos em entrevistas.
Quando Chappell Roan disse que era “a cantora favorita dos nossos cantores favoritos”, a frase ficou. Não tanto pelo efeito provocador, mas porque levanta uma questão simples e interessante: quem são, afinal, as referências de quem hoje domina a indústria?
Se há dias em que a leveza pop de Sabrina Carpenter ou Ariana Grande funciona quase como antídoto imediato, e outros em que se regressa, sem grande resistência, à melancolia de Gracie Abrams ou Taylor Swift, a pergunta impõe-se com uma curiosidade quase infantil: o que é que ouvem quando ninguém está a ver? Entre referências assumidas e influências mais subtis, eis os artistas favoritos dos nossos artistas favoritos.
Taylor Swift
Entre narrativas confessionais e reinvenções constantes, o universo de Taylor Swift constrói-se sobre bases sólidas. A artista aponta nomes como Joni Mitchell, James Taylor e Stevie Nicks como pilares, ao mesmo tempo que mantém um olhar atento ao presente, com admiração por Phoebe Bridgers, Lana Del Rey e HAIM. Curiosamente, também já afirmou que The National (banda de Aaron Dessner, um dos seus frequentes colaboradores) é a sua banda favorita, uma pista para a melancolia que atravessa parte da sua discografia.
Olivia Dean
A artista britânica constrói a sua identidade a partir de uma herança soul e profundamente emocional. Entre os nomes que mais a marcam estão Amy Winehouse, Carole King, Lauryn Hill e Sade Adu. A estes juntam-se referências intemporais como Aretha Franklin, Al Green, Paul Simon e Joni Mitchell.
Drake
No caso de Drake, o ADN é claramente hip-hop, mas com um forte peso histórico. O artista aponta The Notorious B.I.G., Jay-Z e Lil Wayne como influências diretas, ao lado de nomes como André 3000. A presença de figuras como Young Tony revela também a importância do contexto pessoal e das ligações mais próximas na construção do seu percurso.
Ariana Grande
Ariana Grande nunca escondeu a sua devoção a Imogen Heap, que descreve como a sua maior inspiração, sobretudo ao nível da produção. É uma escolha que ajuda a explicar a atenção ao detalhe e às texturas nas suas músicas. A nível vocal, o ponto de referência mantém-se claro: Mariah Carey continua a ser uma das suas maiores influências.
Rosalía
A artista espanhola, conhecida por cruzar tradição e vanguarda, aponta uma figura quase óbvia no seu panteão pessoal: Björk. Mais do que influência estética, trata-se de uma afinidade conceptual, uma abordagem à música como território experimental e profundamente autoral.
Rihanna
Rihanna sempre construiu o seu som a partir de referências muito distintas, cruzando épocas e géneros sem grande esforço. Entre os nomes que mais vezes apontou como influências estão Madonna, Bob Marley, Janet Jackson e Mariah Carey — artistas que ajudam a explicar tanto a sua abordagem visual como a forma como trabalha o pop, o R&B e o reggae.
Beyoncé
Entre o clássico e o contemporâneo, Beyoncé constrói a sua lista de referências. Já apontou Stevie Wonder e Marvin Gaye como influências diretas, além da herança da Stax Records. Ao mesmo tempo, acompanha a nova geração, destacando nomes como Raye, Victoria Monét, Chlöe x Halle, Reneé Rapp, Doechii e GloRilla — a par de escolhas menos óbvias, como Sabrina Carpenter e Chappell Roan.
Harry Styles
O universo artístico de Harry Styles é profundamente enraizado no cânone clássico. Elvis Presley, The Beatles, Fleetwood Mac e Paul McCartney são referências evidentes, a par de nomes como Coldplay, Van Morrison, Etta James e Crosby Stills & Nash. O resultado sente-se: uma estética nostálgica filtrada por uma sensibilidade contemporânea.
Laufey
No caso de Laufey, a ligação ao passado é quase estrutural. A artista constrói o seu som a partir do jazz clássico, com referências diretas a Ella Fitzgerald, Chet Baker e Astrud Gilberto. Mais do que influência, é uma continuidade, uma tentativa de trazer essa linguagem para o presente sem a diluir.
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