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Por favor, parem de pedir bebidas que não constam no menu de cocktails

By Sirena He 09 Sep 2026

Fotografia: Barry Lewis/In Pictures Ltd./Corbis via Getty Images

Acreditem, os bartenders dão por isso. Só que são demasiado simpáticos para lhes pedir que parem de o fazer.

Finalmente, conseguimos chamar a atenção do bartender naquele novo bar da moda. Então, o que pedir? Provavelmente algo que já conhecemos bem e sabemos que vamos gostar, certo? Um martini ou um negroni, talvez uma tequila com refrigerante? Depois de conseguirmos dar um gole para nos animarmos, é normal questionarmo-nos será que sequer olhámos para o menu?

Mas a questão é: nós sabemos do que gostamos. E sim, o bartender sorriu, acenou com a cabeça e preparar a melhor tequila com refrigerante que já provámos, porque o trabalho dele é servir a bebida da forma queremos. No entanto, o pedido em si não é o problema; o problema é pedir sem sequer considerar o menu. Os mixologistas passam meses a desenvolver um menu de cocktails culturalmente relevante e epicurista, antes de infundir meticulosamente licores, fazerem o fat-washing e prepararem adornos à mão, apenas para que alguém peça uma bebida mista de dois ingredientes.

“Reparo nisto principalmente com os homens. Por cortesia, passo sempre o menu a alguém, mas a maioria dos homens já tem na cabeça o que quer”, diz Lauren Rojas, a chefe dos bartenders do Jac’s on Bond, no bairro de NoHo, em Nova Iorque, que ajudou a criar o martini Esquire Campfire. “Na maioria das vezes, o homem limita-se a pousar o menu e diz algo do tipo: “Já sabemos o que vamos pedir".

E o que é que esses tipos que sabem tudo pedem quando devolvem o menu ao bartender como se fosse um guardanapo sujo? Perguntei ao meu colega, Luke Guillory.

“Diria que, em 75% das vezes, nem sequer olho para o menu”, admite. Normalmente, limita-se a pedir uma cerveja quando sai, mas se for beber um cocktail, opta por um clássico, como um gin tónico ou um martini. Não é o único. Lauren Rojas diz que serve muitos espresso martinis e uísques puros. Entretanto, Sam Delucia, diretora-geral do Cure, em Nova Orleães, diz que os seus clientes habituais do sexo masculino tendem a pedir sempre a mesma coisa.

Um bar de cocktails artesanais deve ser tratado como um restaurante. Não iríamos, por exemplo, ao Katz’s Deli, em Nova Iorque, para pedir uma sanduíche de manteiga de amendoim e geleia em vez da sanduíche de pastrami; então, porque não pedir a especialidade do bar? Especialmente porque criadores de bebidas como Kip Moffitt — chefe dos bartenders no Superbueno, um bar de Nova Iorque que ficou em 9º lugar na lista dos 50 Melhores Bares da América do Norte de 2026 — falam dos seus cocktails como se fosse um chef principal a apresentar as especialidades do dia.

“A inspiração para as bebidas vem da experiência da equipa em Nova Iorque e da nossa formação”, afirma Kip Moffitt. “O México e outras partes da América Latina estão aqui representados, e isso reflete-se no nosso programa de cocktails. O nosso martini de manga é influenciado pelas mulheres que vendem fatias de manga nas plataformas do metro".

No Jac’s on Bond, Lauren Rojas inspira-se na sua formação multicultural no Queens. No Cure, os barmans recorrem às suas raízes sulistas para reinventar clássicos com toques únicos. Quando se estuda a cultura por trás do bar, se aprendem os sabores e as inspirações que compõem o seu menu e se faz o pedido em conformidade, descobre-se que não só se expande o paladar, como também se enriquece a experiência. Além disso, para quem pretende recomendar um local fixe aos amigos, é melhor ter uma bebida favorita no menu para que a opinião tenha algum peso.

Além disso, muitos homens pensam que pedir algo simples, como uma tequila com refrigerante, será mais económico porque oferece mais álcool pelo preço. Mas nem sempre é esse o caso. Bartenders como Lauren Rojas sabem exatamente o que cada bebida do menu contém, por isso, se o preço for uma preocupação, o ideal é pedir uma recomendação e confiar no bartender para recomendar uma bebida com boa relação qualidade-preço.

Como primeiro passo para alargar os horizontes em matéria de cocktails, Sam Delucia incentiva os homens a experimentarem uma versão renovada de clássicos, disponíveis no menu. Um truque que utiliza é trocar as bebidas espirituosas, como usar tequila em vez de vodka num espresso martini, o que, segundo Delucia, “abre o mundo da tequila a pessoas que normalmente não a experimentaram”.

Kip Moffitt também aderiu a essa ideia. O vodka y soda do Superbueno não é uma vodka com água com gás qualquer. É feito a partir de um xarope de goiaba caseiro, cuidadosamente desenvolvido, que oferece o equilíbrio perfeito entre o sabor cítrico picante e a doçura. A vodka é infundida com malagueta pasilla, o que lhe confere um toque picante. Não parece infinitamente mais emocionante do que o habitual?

Com opções tão apetitosas disponíveis, não há motivo para fazer o barman revirar os olhos outra vez. A partir de agora, a regra deve ser olhar para o menu que entregam, estudar o mesmo, pedir o que mais chamar a atenção e conversar com o bartender sobre a inspiração por trás da bebida. Isto pode fazer a noite dele. Se a ideia for pedir mais do que uma bebida, rapidamente nos podemos tornar no seu cliente favorito — e uma bebida mais perto de ouvir aquelas palavras tão cobiçadas: “A próxima é por minha conta”.

Traduzido do original, disponível aqui.

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