Fotografia de tomicornio via Instagram @nos_alive
Entre os dias 9 e 11 de julho, a música voltou a pisar os palcos do Passeio Marítimo de Algés, para a 18ª edição do NOS Alive. Eis os concertos do festival que queremos relembrar, rever e repetir – vezes e vezes sem conta.
A 18ª edição do NOS Alive voltou a confirmar que, há quase duas décadas, ano após ano, a música tem lugar (e palco) reservado no Passeio Marítimo de Algés. Ao longo de três dias, o festival tornou-se um epicentro de cultura, cruzando diferentes géneros de música e conciliando artistas nacionais com alguns dos nomes mais sonantes do panorama internacional. Houve espaço, tempo e energia para tudo e todos — do rock ao pop e do fado à eletrónica. Ainda assim, como já dita a norma, este ano, a programação voltou a ir além da música; em adição ao já estabelecido Palco Comédia, o festival deu as boas-vindas ao Palco Literário, reforçando a aposta do evento numa oferta cultural cada vez mais abrangente e multidisciplinar.
O NOS Alive 2026 foi marcado pela celebração dos 20 anos dos Buraka Som Sistema, que regressaram aos palcos após uma ausência de 10 anos, e por atuações magnéticas de Florence + The Machine, Nick Cave and The Bad Seeds e Twenty One Pilots. Com a missão de se reafirmar como um dos eventos mais incontornáveis da época de festivais europeia cumprida, o NOS Alive encerrou a sua 18ª edição com a promessa de regressar ao recinto a que chama de casa nos dias 8, 9 e 10 de julho de 2027.
No Passeio Marítimo de Algés, a Esquire Portugal lançou a primeira metade da frase. O resto ficou nas mãos de quem por lá passou, num vídeo para ver abaixo.
Eis os 7 concertos que mais se destacaram na 18ª edição do NOS Alive
Nick Cave and The Bad Seeds
Com uma presença magnética que o torna um dos artistas mais fascinantes da atualidade, o concerto de Nick Cave, acompanhado dos seus The Bad Seeds, no primeiro dia do NOS Alive, foi um manifesto de intensidade e coerência artística. Ao longo do set, houve espaço para referências góticas, para a emoção do punk, e até para os atemporais blues e gospel. Num concerto que reafirmou a riqueza da sua discografia e universo musical, Cave fez por passar a sua magia ao público do Palco NOS, canção após canção. Com uma entrega inabalável, o australiano relembrou que a música continua a ser um portal entre memórias, sentimentos e, sobretudo, gerações — assumindo-se como uma experiência coletiva à qual ninguém fica indiferente.
Twenty One Pilots
Os co-cabeças de cartaz do primeiro dia do festival prometeram uma noite repleta de êxitos que marcaram a história do rock. Apesar de terem atuado no único dia que não se encontrava esgotado, no Palco NOS, a banda americana juntou fãs de longa data com recém-convertidos ao misto de sonoridades e emoções que carateriza a discografia de Tyler Joseph e Josh Dun. Com quase 20 anos de carreira, Twenty One Pilots apresentaram um concerto que prova que há música que não existe meramente para ser ouvida, mas sim para ser sentida em toda a sua plenitude. Além disso, num momento inusitado que acabou por se tornar um dos mais memoráveis da noite, a banda convidou um segurança a subir ao palco para um dueto do tema Ride.
Foo Fighters
Na segunda noite do NOS Alive, os Foo Fighters encerraram o Palco NOS com uma autoridade irreplicável. Com um recinto esgotado, a banda de Dave Grohl celebrou a música no seu sentido mais puro e provou que, mais do que nunca, esta pode (e deve) transcender gerações. Entre nostalgia, história e um sentimento de pertença inabalável, foram duas horas e meia de alguns de clássicos da música rock, como Best of You, All My Life e My Hero. Foi, acima de tudo, uma prestação sólida, sem grandes cenários ou surpresas – apenas talento e cumplicidade com o público – mas foi a prova de que a saúde da atemporalidade dos Foo Fighters está bem e recomenda-se.
Zara Larsson
Com passagem pelo Palco Heineken, Zara Larsson trouxe uma lufada de pop ao segundo dia do NOS Alive. Num concerto que percorreu os principais momentos da sua carreira, a cantora sueca mostrou que a sua permanência na indústria da música se construiu com consistência e uma identidade bem definida. Entre temas como Midnight Sun, Never Forget You e Lush Life, manteve o público em constante movimento, apoiada numa presença em palco segura, numa voz sólida e numa energia contagiante. Foi a antítese perfeita do rock que dominou o restante dia do festival, e um manifesto luminoso, colorido e assumidamente pop. Ao longo de uma hora, o Palco Heineken transformou-se numa verdadeira pista de dança, confirmando que o impacto de Zara Larsson se mede muito para lá dos números de streaming.
Lorde
No regresso aos palcos portugueses, Lorde iniciou o seu concerto no último dia do festival com Royals, uma das suas músicas mais icónicas e o tema que a estabeleceu na indústria. Numa prestação marcada pela intimidade com o público, a performance da artista neozelandesa cruzou temas antigos com as suas apostas mais recentes: houve espaço para a vulnerabilidade de Liability, a catarse de Supercut e até para a energia de Girl, so confusing. Entre referências à relação especial que mantém com Lisboa e uma entrega emocional constante, a artista voltou a demonstrar aquilo que a distingue no panorama do pop contemporâneo: a rara capacidade de transformar um recinto esgotado num espaço de proximidade, onde a emoção e a euforia coexistem.
Florence + The Machine
Florence Welch voltou a provar porque continua a ser uma das performers mais hipnóticas da música contemporânea. No último dia do NOS Alive, a cantora britânica tomou conta do Palco NOS com uma presença simultaneamente teatral e catártica, onde a intensidade da interpretação encontrou um equilíbrio raro com a precisão vocal. Com uma setlist que juntou temas do seu mais recente álbum, Everybody Scream, com clássicos como Dog Days Are Over, Shake It Out e Spectrum, Welch conduziu o público do Passeio Marítimo de Algés por uma experiência de entrega absoluta, marcada por uma energia quase ritualista e uma ligação constante aos fãs. Mais do que um concerto, foi uma celebração da vulnerabilidade, da resiliência e do poder transformador da música — um dos momentos mais memoráveis desta 18ª edição do NOS Alive.
Buraka Som Sistema
Dez anos depois do último concerto, os Buraka Som Sistema regressaram para encerrar a 18ª edição do NOS Alive e transformaram o Passeio Marítimo de Algés numa autêntica pista de dança onde a celebração da música portuguesa falou mais alto. Da explosividade de Hangover (BaBaBa) aos inevitáveis Kalemba (Wegue Wegue), Sound of Kuduro e Yah, o palco reuniu Branko, Riot, Kalaf, Conductor e Blaya num espetáculo que privilegiou a energia, a união e a nostalgia, sem nunca soar preso ao passado. Mais do que um reencontro, foi a confirmação da influência duradoura do projeto que redefiniu a música eletrónica nacional e a levou além-fronteiras.
_Top Esquire
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