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Num panorama de conflitos internacionais, o dinheiro está mais caro e o mundo mais incerto. Mas a incerteza geopolítica é sinónimo de oportunidade para criar rendimentos futuros.
Na última edição falei do "BE-A-BÁ" da poupança e do investimento, mas quando rebenta um conflito, o instinto primário é vender tudo e esconder o dinheiro debaixo do colchão. Embora compreensível, é quase sempre uma má estratégia. O dinheiro parado é atropelado pela inflação e perde valor.
Em Portugal, um dos países onde o aumento do valor dos imóveis foi mais acentuado, há a ideia de que o mercado imobiliário é o setor com mais ganhos a tirar, mas em tempos de guerra o ouro continua a ser o refúgio por excelência. Há um exemplo clássico que atravessa gerações: há uns anos, uma onça de ouro comprava um bom fato à medida; hoje, essa mesma onça continua a comprar um bom fato à medida, independentemente das crises. O mesmo não se pode dizer de uma nota de 500€. O ouro preserva o valor que o papel-moeda perde.
Não precisa de guardar barras ou colares de ouro em casa, mas considerar um produto financeiro que replique o seu preço pode ser uma maneira eficaz de proteger o seu património financeiro da inflação. Na energia, o preço subiu e com isso o custo de vida, mas nem todos perdem. O setor tem apresentado ganhos extraordinários e o consumidor pode tirar proveito, apostando em produtos derivados ou ações diretas das empresas, tanto nacionais como internacionais.
A taxa Euribor, particularmente em Portugal, onde o preço das casas disparou anormalmente nos últimos anos, tem sido inimiga de quem quer comprar casa ou ter em dia o pagamento do crédito à habitação. Mas se tem liquidez, dinheiro disponível, há uma janela de oportunidade para fazer as pazes com a taxa, beneficiando do aumento na remuneração dos produtos indexados a tal. Com o prazo de entrega do IRS ainda a decorrer, se tiver direito a reembolso pode ser uma ótima fonte de liquidez a atribuir às poupanças e investimentos, já que não faz parte do seu rendimento habitual.
Descarte os depósitos a prazo com taxas baixas — aqueles de que se orgulha de usar para ter a sua poupança em separado — e procure contas com remuneração indexada à Euribor. Há depósitos a prazo, certificados de aforro que bonificam os clientes consoante o prazo de permanência com subidas das taxas de remuneração. Há também contas à ordem com pagamento de juros indexados à Euribor, ideais para ter o dinheiro a gerar dinheiro, com a flexibilidade de o ter disponível a qualquer momento.
Quando ouvir dizer que “a bolsa caiu X por cento devido às tensões no Médio Oriente", saiba que em termos de investimento, potencialmente, equivale a comprar uma camisola em saldos e poder olhar para ela na loja mais tarde ao preço original. No entanto, olhe para isto como uma oportunidade de reforço de investimento, ou entrada — se está a começar agora — e não como um indicador de que o preço de determinado produto bateu no fundo e é momento de investir tudo o que tem. Não é. É sempre mais prudente distribuir o investimento ao longo do tempo. O importante é o preço médio de entrada, ou seja, a média de preço entre todas as ordens de compra, considerando os custos de comissões da corretora.
A Euribor e os mercados vão continuar a oscilar, mas o objetivo deverá ser sempre gerar rendimento futuro. Quem tiver estômago para arriscar agora a longo prazo pode ser o maior vencedor.
Originalmente publicado na Esquire Portugal, na edição de maio de 2026, disponível aqui.
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