Pop Star | Setembro 2026
Caro leitor, o número 4 está carregado de simbolismos.
Em alguns países asiáticos, como a China, é associado à má sorte, uma vez que a palavra “quatro” tem uma sonoridade muito próxima da palavra “morte”. Por isso, não é raro que edifícios, hotéis e hospitais passem diretamente do terceiro para o quinto andar. As placas de automóveis e números de telemóvel com o número 4 são, por vezes, menos procurados e até vendidos por valores mais baixos.Na nossa cultura, porém, o 4 representa solidez e estabilidade. Para o filósofo grego Pitágoras, era um número sagrado e perfeito, símbolo da harmonia da natureza: as quatro estações do ano, os quatro elementos, água, terra, fogo e ar, entre tantas outras manifestações da ordem e do equilíbrio.
Nesta edição temos duas personalidades que são já verdadeiras estrelas pop. José Condessa, o ator português com uma carreira cada vez mais sólida, não apenas entre portas, mas também além-fronteiras, especialmente no Brasil e em Espanha.

José Condessa
Luís Monteiro
A imagem do ator que surge “colado” à capa é inspirada na obra Comedian, do artista italiano Maurizio Cattelan, apresentada em 2019. A obra, que consiste numa banana fresca presa à parede com fita adesiva, tornou-se um dos símbolos mais comentados da arte contemporânea. A banana apodrece e, inevitavelmente, tem de ser substituída por outra.
A parábola desta capa é precisamente essa: quanto tempo dura a fama? E até que ponto uma personalidade precisa de se reinventar e de se adaptar para continuar relevante? Quero aqui agradecer ao Condessa por se ter entregue a esta produção fotográfica de corpo e alma.
A nossa segunda capa é Christian Louboutin, que descobriu em Portugal uma espécie de segunda casa à qual gosta sempre de regressar. As suas icónicas solas vermelhas fazem já parte do imaginário da moda e da cultura pop. Uma entrevista a não perder, dentro da nossa rubrica Estrangeiros em Portugal.

Christian Louboutin
Marie Taillefer
As páginas desta revista estão repletas de sonho, de histórias que nos fazem pensar e de personagens que nos inspiram a querermos ser melhores. Mas, ao contrário do que Pitágoras dizia, este número 4 não é perfeito e a revista não pode deixar de refletir o mundo em que vivemos.
A guerra na Ucrânia, que começou há mais de quatro anos, continua sem um fim à vista. Na reportagem Quem nos vai libertar se não formos nós?, entramos no mundo do colégio militar Ivan Bohun em Kiev, onde adolescentes entre os 15 e os 17 anos se preparam para a vida futura. Têm disciplinas regulares, mas aprendem também a defender o seu país — se necessário, com a própria vida.
É uma realidade muito diferente daquela em que vive a maioria dos jovens europeus. À medida que a guerra se prolonga, corremos o risco de nos esquecermos do quotidiano de um povo que continua a lutar pela sua independência, pela sua identidade e pela sua cultura. Esta reportagem é a nossa homenagem a esse povo corajoso que, para muitos de nós, está também a lutar pela liberdade na Europa.

José Condessa
Luís Monteiro
Caro leitor, espero que esta carta o encontre bem e, sobretudo, de baterias já carregadas no regresso ao trabalho. Se é daqueles que guardam as férias para setembro, como se costuma dizer, quem ri por último ri melhor. Seja qual for o caso, esta quarta edição da Esquire estará consigo e far-lhe-á companhia nos seus momentos de pausa. Boas leituras.
Publicado originalmente na edição de setembro de 2026. For the english version, click here.
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