Hubert de Givenchy e Philippe Venet em 1961. Fotografia: Tony Vaccaro/Getty Images.
Vai viajar e não sabe que câmara fotográfica escolher? Eis algumas opções variadas para descobrir o primeiro passo da sua jornada fotográfica.
Story time: uma vez fui de férias para um país estrangeiro e, ao contar esta intenção a um amigo, julguei ouvi-lo dizer: “Leva uma câmara fotográfica contigo, vai alterar a tua relação com o espaço”. Cinicamente, pensei “Nah”. Mas quando cheguei, apercebi-me de que estava enganado. Queria guardar algo do que estava a ver à minha volta. Aliás, queria guardar o que estava a sentir. Por isso, tive de fazer por me safar e adquirir uma maneira de fotografar já ali, no estrangeiro. Quando voltei, ao falar disto com o meu amigo, ele corrigiu-me. O que tinha dito foi: “não leves uma câmara fotográfica contigo, vai alterar a tua relação com o espaço”. Eu ouvi mal e, de facto, alterou a minha relação com o espaço. No entanto, acabou por alterar a minha relação com o espaço para sempre, porque foi assim com comecei a fotografar, até acabar por fazê-lo profissionalmente.
QuickSnap + Flash, FUJIFILM

Câmara Descartável QuickSnap + Flash, €19,95, Fujifilm, na Colorfoto.
Se, como já me aconteceu, estiver a passear por terras alienígenas e se arrependeu de não levar um aparelho de captura de momentos, o melhor que tem a fazer é ser prático. Não vale a pena fazer decisões que, potencialmente, afetarão a sua vida à pressa e a quente. Opte pela solução mais simples: ir a uma loja de eletrónica local e comprar uma câmara descartável por cada dois ou três dias de viagem. Para além de ser o tipo de câmara que menos afeta uma viagem, também é aquela onde a imagem final será mais uma incógnita. E isso faz parte da magia.
35 AF, ROLLEI

Câmara Analógica 35 AF, €899, Rollei, na Colorfoto.
Se se quiser manter no reino do analógico, mas quiser tomar menos riscos, pode optar pela recentemente lançada Rollei 35 AF, inspirada nos modelos clássicos Rollei 35, extremamente populares nos anos 60 e 70.
Esta versão renovada continua a ser construída no sentido de ser disparada ao nível da anca, sem que seja necessariamente obrigatório olhar através do visor. Este modelo conta agora com uma função de foco automático, para que não seja preciso calcular qual a distância da lente ao sujeito literalmente a olho nu.
TG7, OLYMPUS

Câmara Compacta Tough TG-7, €539, OM SYSTEM, na Colorfoto.
Esta é a câmara faz-tudo. Fotografa, filma e tem uma particularidade que mais nenhuma tem nesta lista: é à prova de água, tornando-se totalmente submersível com a caixa estanque vendida em separado. Também é à prova de choque e com uma opção de cor vermelho-vivo, para que seja facilmente encontrada se a deixarmos cair. A qualidade de imagem é um pouco inferior às demais propostas desta lista, mas isso vem em troca de praticidade e facilidade de transporte.
Nota breve sobre câmaras usadas
Ultimamente, cada vez mais celebridades exibem as suas pequenas câmaras antigas. Quer nos estejamos a referir a Dua Lipa com a sua Canon IXUS 285 HS A de 2016 ou a Sabrina Carpenter erguendo uma Contax G2 de 1996, uma coisa é certa: o vintage está na moda, e agora inclui também as câmaras digitais que alguns de nós detestavam durante os anos 2000. Mas a verdade é que tanto a película como a estética digicam nos transportam para um espaço fora do presente, fora das redes sociais e fora do caos do mundo à nossa volta. Fazem-nos regressar a um ambiente privado onde os nossos hangouts com amigos podem repousar durante meses num cartão SD, em vez de serem logo partilhados num post público.
É importante termos em conta que não nos devemos reger apenas pelo que é popular, até porque a associação entre uma celebridade e um certo modelo de câmara terá tendência de encarecer os exemplares desse mesmo objeto ainda disponíveis no mercado dos usados. O mais importante é que o princípio por detrás da re-utilização de câmaras antigas faz sentido num mundo em que há tantas câmaras espalhadas por aí, abandonadas em função dos “brinquedos” cheios de funções que são inúteis para a vasta maioria dos consumidores casuais. O que quero dizer é que, se nos últimos 20 anos já pensou em comprar uma câmara, ela está provavelmente agora à venda no mercado de usados a um décimo do preço que estava nova. Mais do que nunca, esta é a altura para explorar o mercado e encontrar a nossa câmara ideal.
X100VI, FUJIFILM

Câmara Digital Avançada X100VI, €1799,00, Fujifilm, na Colorfoto.
Esta é umaa câmara mágica. A câmara para quem andou a olhar para todas as fotografias de um Henri Cartier-Bresson e foi à procura do dito-cujo “momento decisivo”. Mas, fora de brincadeiras, claro que não é assim tão fácil. Esta é uma câmara para quem gosta de se expressar através de fotografia sem querer dificultar o processo. A lente é fixa, todas as definições podem ser manuais ou automáticas e o aspeto da imagem pode ser alterado — através da utilização das várias “receitas” incluídas em câmaras Fuji. Estes looks são desenhados para emular o aspeto de certos tipos de película e o seu objetivo é serem aplicados aos ficheiros das fotos dentro da câmara, de modo a que evitar processos de pós-produção onde as opções se tornam infinitas. O objetivo é eliminar escolhas e maximizar o prazer de capturar o momento.
Câmara a7C II + lente 24-105 mm f4, SONY

Câmara Mirrorless a7C II, €2399, Sony, na Colorfoto; Objetiva FE 24-105 mm f/4 G OSS, €1249, Sony, na Colorfoto.
Por último, se nenhuma das opções até agora o deixou convencido, se sente que quer algo maior, melhor e que lhe dê mais espaço para aprendizagem no futuro, a hipótese mais esperta será mesmo molhar a ponta do pézinho no mercado “pro-sumer” (que se situa entre o profissional e o consumidor comum) e investir num conjunto de câmara e objetiva que lhe possam, realmente, mostrar quais as possibilidades da fotografia no mundo tecnológico contemporâneo. A Sony a7c II é uma adaptação da Sony a7 IV para uma forma mais pequena e esteticamente agradável, contendo em si o mecanismo de foco automático empoderado por IA que, provavelmente, vai fazer com que quase nenhuma das suas fotos fique desfocada. A lente 24-105mm é recomendada pela sua capacidade de adaptação ao mais vasto número de situações, tanto a nível de distância focal (zoom entre os 24mm e 105mm) como a nível de abertura de diafragma a f4 que, em conjunto com as sensibilidades de ISO possíveis na a7c II, se torna numa máquina capaz de registar imagens em situações bastante escuras.
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