Fotografia: Malcolm Clarke/Keystone/Hulton Archive/Getty Images
Quanto mais cedo começar a gerir o seu dinheiro, menos angústias vai ter no futuro e mais liberdade ganha para fazer escolhas.
Não precisa de ser rico ou especialista para investir.
Dinheiro bem gerido não é sobre acumular, é sobre liberdade. Precisa de clareza, consistência e tempo — a maior vantagem de quem começa cedo.
“Para onde vai o meu dinheiro?”
A maioria das pessoas não sabe, é normal. Além das despesas fixas indispensáveis, o dinheiro é gasto em pequenas decisões automáticas: subscrições, refeições fora, transportes, compras rápidas. Controlar as despesas implica ter consciência do seu panorama financeiro. Numa app, Excel ou num caderno, o formato não importa, mas precisa de registar como gasta o seu dinheiro.
Uma regra útil:
- 50% para necessidades (renda, alimentação, contas, transportes);
- 30% para desejos (lazer, roupa, saídas);
- 20% para poupança e investimento (Se 20% lhe parecer impossível, e bem sabemos o panorama português — em particular com a constante subida dos custos com habitação — comece com o que lhe for possível. O valor importa menos do que a consistência).
O fundo de emergência é a sua base financeira
Antes de investir, crie um fundo de emergência. Faça um esforço para acumular de 3 a 6 meses das suas despesas fixas e guarde esse valor numa conta separada. Uma conta à ordem separada funciona, mas idealmente deve optar por uma conta que lhe dê rendimento, para reduzir ou evitar totalmente a perda de valor face à inflação anual. Este valor serve apenas para emergências. Desemprego, saúde, imprevistos em casa ou no carro. Sem isto, qualquer emergência torna-se uma dívida potencial, a grande inimiga da independência financeira.
É possível investir apenas 10€
Antes de começar, há que lembrar que investir envolve risco. Pode perder o seu dinheiro. Nos produtos financeiros sem capital garantido os lucros do passado não garantem rentabilidade no futuro. Para dar início a uma carteira de investimentos, as opções mais comuns são:
Fundos de índice (ETF)
Acompanham mercados inteiros, são diversificados, de baixo custo e muito usados para investimento de longo prazo. O seu risco — e potencial rendimento — é distribuído por vários “cestos”.
Certificados de aforro
Por serem produto do Estado, têm elevada segurança e capital garantido. Os rendimentos, tipicamente, tendem a ser mais baixos, mas são estáveis e previsíveis. Têm também muita liquidez: pode retirar o dinheiro quando quiser, com exceção dos primeiros três meses.
Apps de investimento
Permitem começar com pouco e investir regularmente. A Trade Republic e a Degiro são as mais utilizadas, mas não são nacionais. Se preferir, há bancos e plataformas nacionais que lhe permitem investir, embora as comissões não sejam tão competitivas. Em contrapartida, torna-se mais fácil declarar os rendimentos na altura do IRS.
Dicas de amigo
Não invista dinheiro de que precise a curto prazo. Não se deixe seduzir por “influencers”, os influenciadores de finanças. Não coloque o dinheiro numa única ferramenta. Diversificar a carteira de investimentos é a melhor maneira de não expôr o seu dinheiro aos mesmos riscos. Não espere pela melhor altura para investir, nem retire o dinheiro no que lhe parece ser a pior altura. Os produtos de investimento são voláteis. Podem subir ou descer acentuadamente, muitas vezes rapidamente. Só perde dinheiro se o retirar do investimento quando está mais baixo do que quando investiu. Compensa aguardar pela estabilização ou por uma nova subida. Por vezes, uma descida pode apontar para perdas irrecuperáveis. Nestes casos, assumir a perda e retirar o dinheiro pode ser a melhor opção. É por isso que é importante diversificar a sua carteira de investimentos, para poder olhar para o todo e, em caso de perda num produto, procurar sair com ganhos globais.
O melhor investimento continua a ser em si
No início da vida adulta, investir em si próprio tem maior retorno. Formação, aquisição de novas competências ou angariação de contactos pode revelar-se mais eficaz do que qualquer estratégia de investimento ativo ou de corte de despesas, por causa do potencial de aumento de rendimento. O crescimento profissional também deve fazer parte da estratégia financeira, mas requer um trabalho ativo. Começar cedo muda tudo. Procurar resultados imediatos ou ficar frustrado pela falta deles é um dos grandes fatores de desistência numa estratégia financeira. O segredo é começar cedo e ser consistente. Mesmo valores pequenos, investidos regularmente, podem crescer muito ao longo dos anos, graças aos juros compostos, que é o rendimento sobre rendimento.
Liberdade futura é adotar uma estratégia financeira e não restringir o consumo
É ganhar consciência do seu ponto de situação e encontrar o equilíbrio entre gastar naquilo que precisa e naquilo que o faz feliz sem descuidar o futuro. Quando lá chegar, ao futuro, vai agradecer a si mesmo pelo que fez no passado.
Originalmente publicado na edição de estreia da Esquire Portugal, disponível aqui.
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