Fotografia: Instagram via @uauprodutora
Entre guiões que reinventam clássicos e cenas que primam pela emoção, eis 5 peças de teatro para descobrir nos próximos meses.
No teatro, há sempre um sítio para fugir: seja através de uma cena que nos teletransporta para um lugar cheio de emoção, seja pela cadeira na qual nos encostamos durante duas horas, o teatro consegue ser tudo o que precisamos para compreendermos melhor a vida.
Uma peça não é apenas um palco onde palavras se memorizam e artistas se (re)encontram: é um universo íntimo de autoconhecimento, uma viagem sem volta — cheia de emoções e silêncios — um instante suspenso que nos convida a olhar para dentro e a escutar quem realmente somos.
Clube dos Poetas Mortos
A peça Clube dos Poetas Mortos chega ao Teatro da Trindade Inatel, em Lisboa, como um convite urgente à emoção e à reflexão. Adaptada do texto original de Tom Schulman, esta encenação dirigida por Hélder Gamboa traz para o palco uma história intemporal sobre esperança, liberdade e identidade. Com interpretações marcantes de Diogo Infante e Virgílio Castelo, o espetáculo já conquistou o público mesmo antes da estreia, refletindo o impacto duradouro de uma narrativa que atravessa gerações.
Num colégio rígido, onde a tradição e disciplina imperam, o carismático professor John Keating inspira os alunos a questionar, sonhar e viver intensamente. Mais do que uma história, esta peça é um espelho para o público: provoca perguntas profundas sobre o sentido da vida, as escolhas e a coragem de ser fiel a si próprio. Entre poesia e emoção, ecoa a mensagem que nunca perde força — carpe diem — lembrando que a vida pede urgência, verdade e paixão.
No Teatro da Trindade Inatel, em Lisboa, a partir de 30 de abril e até 20 de dezembro.
Sr. Engenheiro - Alegadamente um Musical
Aclamado como “o musical de José Sócrates” e inspirado na realidade política e social portuguesa, esta peça retrata a história de um ex primeiro ministro, desde as suas origens humildes no interior do país à sua vida na capital francesa.
Entre as portas e travessas desta história surgem várias figuras: como uma assessora cuja fé no político é inabalável, um amigo íntimo em quem a generosidade abunda e um motorista que sabe mais do que aquilo que devia. Num mundo onde a amizade e o favorecimento surgem como uma linha ténue, Sr. Engenheiro apresenta-se como uma sátira de costumes num universo marcado por relações demasiado próximas. Neste “alegadamente um musical”, há ainda quem dê vida a um procurador determinado em acabar com a transparência dessas relações, mas cuja figura o Sr. Engenheiro vê apenas como conspirações contra si.
No Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, até 9 de maio.
No Coliseu do Porto Ageas, de 14 a 15 de maio.
Uma Ideia Genial
E se, por acaso, se cruzasse com alguém exatamente igual a si? Uma Ideia Genial parte dessa premissa improvável para construir uma comédia vibrante, onde coincidências inesperadas dão lugar a situações tão absurdas quanto irresistíveis.
Encenada por Ricardo Neves-Neves e escrita por Sébastien Castro, a peça conquistou sucesso em França — sendo distinguida com dois prémios Prémios Molières, incluindo Melhor Comédia. Agora, com Ana Guiomar, Cristóvão Campos, Ruben Madureira e Sandra Faleiro no elenco, a história acompanha uma personagem que, de forma hilariante, se desdobra em três versões de si mesma. Entre equívocos, ciúmes e encontros duvidosos, desenrola-se uma sequência frenética de mal-entendidos que promete arrancar gargalhadas do início ao fim.
No Teatro Maria Matos, em Lisboa, até 17 de maio.
Verdadeiro Oeste
Num western passado entre quatro paredes, marcado por humor e ironia, Sam Shepard constrói uma narrativa onde a dimensão autobiográfica surge disfarçada de uma tensão entre dois irmãos. Ligados de forma inevitável, dependem um do outro como lados inseparáveis de uma mesma identidade, presos a um confronto que revela tanto rivalidade como necessidade.
Num ambiente duro e sem espaço para fragilidade, ambos procuram — à sua maneira — o chamado “sonho americano”. Austin adapta-se às regras e à lógica implacável de Hollywood, enquanto Lee segue um caminho instável, guiado por uma ideia de liberdade sem limites, enraizada no Destino Manifesto. Num cenário familiar marcado pela ausência e pelo vazio emocional, e numa sociedade dominada pela lei do mais forte, a tensão cresce até explodir num confronto inevitável que ameaça consumir tudo à sua volta.
No Teatro da Trindade Inatel, em Lisboa, de 23 de abril a 7 de junho.
Veneno
Em Veneno, um homem e uma mulher voltam a encontrar-se ao fim de uma década. Em tempos, foram casados, mas uma perda devastadora mudou o rumo das suas vidas e acabou por afastá-los, incapazes de partilhar e enfrentar juntos a dor que os consumia. Agora, perante este reencontro, questionam-se se os anos terão sido suficientes para sarar as feridas deixadas pelo passado e se, ao finalmente dizerem o que ficou por dizer, conseguirão ultrapassar o ressentimento e encontrar uma nova forma de se compreenderem.
Através de um diálogo carregado de emoção, a peça Veneno, da autora Lot Vekemans, com encenação de João Lourenço e interpretações de Carla Maciel e Gonçalo Waddington, mergulha nas profundezas da condição humana e explora as formas complexas e singulares como cada indivíduo tenta preservar a esperança diante das adversidades da vida.
No Teatro Aberto, em Lisboa, de 15 de abril a 3 de maio.
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