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Na mitologia egípcia, os deuses representavam a identidade de fenómenos naturais. Assim, apesar da longa lista, eis as 10 principais divindades egípcias que deve conhecer.
Perante aquilo que não se consegue compreender, cada povo arma-se da melhor forma que consegue e cria as suas próprias histórias, na tentativa de encontrar uma explicação e — assim — viver com mais serenidade. Os antigos egípcios não foram certamente exceção, dando origem a um panteão decididamente repleto de entidades, cada uma destinada a representar um estado humano ou um acontecimento desconhecido de forma simples, direta e, acima de tudo, compreensível para a mentalidade da época. Desde Anúbis a Maat, eis uma lista das principais 10 divindades egípcias, com as respetivas lendas que acalmavam o povo.
Quem eram os deuses egípcios e qual o seu papel no Antigo Egito?
Para compreender em profundidade a civilização do Nilo, é fundamental analisar quem eram os protagonistas do sagrado e qual a sua verdadeira função na vida quotidiana da população: os deuses egípcios. Os mitos e as crenças não serviam apenas para explicar a criação do mundo ou a alternância das estações, mas regulavam cada aspeto da existência terrena e da passagem para o além. A própria figura do faraó estava intimamente ligada a este universo espiritual, servindo de intermediário entre os homens e as potências celestiais.
Como funcionava a religião egípcia e por que razão existiam tantas divindades?
O sistema religioso do Antigo Egito era extremamente complexo, politeísta e em constante evolução geográfica e política. A razão pela qual existia um número tão elevado de divindades reside na necessidade de atribuir uma identidade e uma explicação a qualquer fenómeno natural, desde as cheias anuais do rio às tempestades no deserto, passando pelo nascimento, pela morte e pela justiça. Entre os deuses egípcios, os nomes e atributos variavam consoante as épocas e as regiões: cada centro urbano tinha as suas próprias particularidades espirituais, que muitas vezes, com o tempo, eram assimiladas ou fundidas entre si para refletir a unificação política do reino, dando origem a relatos fascinantes transmitidos ao longo dos milénios. Assim, eis quais são as 10 principais divindades egípcias.
Anúbi, a divindade egípcia do além
Anúbi, representado iconograficamente como um chacal antropomórfico, é o Deus do além-vida que acompanha a alma na sua viagem extracorpórea. A sua função é proteger os falecidos durante a mumificação e conduzir o seu espírito até Osíris, perante quem o coração do falecido era pesado, à espera de uma confirmação — ou de uma recusa — da vida eterna. A decisão dependia da comparação com uma pena (a de Maat): caso a balança se inclinasse a favor do coração, a alma seria devorada por Ammit.
Osíris, Deus da morte
Nas fontes, Osíris surge com traços humanos, com a cabeça coberta por um cocar branco e duas varas nas mãos: o cetro heqa e o chicote. Segundo a lenda, a divindade teria sido morta pelo irmão Seth, mas um feitiço realizado por Ísis e Nefti teria-o trazido de volta à vida, atribuindo-lhe o papel de Deus da morte.
Ísis, divindade da lua
A já mencionada Ísis é simultaneamente esposa e irmã de Osíris, sendo-lhe associadas a fertilidade, a magia e a lua. Na qualidade de mãe de Horus, Ísis protege e favorece a maternidade e, nos hieróglifos, é representada como uma mulher coroada. Os relatos sagrados também a apresentam como protetora do seu filho contra o temível Seth, além de ser a única capaz de descobrir o verdadeiro nome de Rá.

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Ammit, divindade funerária
Ammit, também conhecida como deusa crocodilo, é outra divindade funerária do panteão egípcio, uma vez que, situada aos pés de Anúbis, é ela quem tem a função de devorar as almas das pessoas que chegam ao julgamento com demasiados pecados no coração. É representada com cabeça de crocodilo, duas patas de leão e duas de hipopótamo: estes três animais eram considerados pelo povo os mais perigosos de todos os existentes.
Seth, deus da violência
Como é fácil deduzir das histórias anteriores, ao Deus Seth estão associados o caos, a violência, o perigo do deserto e as tempestades. Juntamente com Anúbis, é a outra divindade do Egito representada com as feições de um chacal, mas também pode ser encontrado representado como um burro, uma cabra ou uma raposa. Em torno da sua figura foram criadas várias lendas: segundo alguns, teria sido companheiro de viagem do sol e de Rá; segundo outros, teria matado Osíris para ocupar o seu lugar, acabando por ser derrotado por Horus.
Horus, Deus da natureza
Horus é filho de Ísis e tem a missão de manter o equilíbrio da natureza, protegendo a beleza, a arte e a caça. Segundo o mito, terá vivido um duro confronto com Seth, na sequência do qual terá perdido um dos seus olhos. A esta divindade — representada com cabeça de falcão adornada por uma dupla coroa — são também atribuídos poderes de clarividência.
Rá, o sol
O ser representado com uma cabeça de falcão e uma grande esfera vermelha no topo da cabeça, rodeada por uma serpente, chama-se Rá, Deus do sol: juntamente com Seth, esta divindade viajava na sua barca com a missão de defender a estrela da ameaça de Apopi, um réptil monstruoso decidido a engoli-la.

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Nefti, guardiã do leito funerário
Também Nefti está ligada à morte: a sua função é não só vigiar as múmias e os túmulos, mas também facilitar o parto e guardar o leito funerário de Osíris. Segundo a lenda, seria mãe de Anúbi, filho que teve com o seu irmão Seth. E não só, seria também irmã de Ísis e de Osíris, apesar de ser representada com as feições de uma mulher perfeitamente normal. Os seus principais atributos, que nos permitem distingui-la, são dois animais: o milhafre e o falcão egípcio.
Maat, Deusa da justiça
Entre as divindades egípcias mais importantes, não se pode deixar de mencionar Maat, Deusa da justiça e da verdade, geralmente representada como uma mulher com uma pena na cabeça e asas no lugar dos braços. São precisamente as suas penas que Anúbi e Osíris utilizam para pesar o coração de cada nova alma que chega ao além e determinar o seu destino.
Amon-Ra, fusão entre o Deus de Tebas e o sol
Por último, mas certamente não menos importante, Amon é uma divindade cujo culto se limitava, na origem, apenas à cidade de Tebas. Porém, rapidamente alcançou fama em todo o reino, a tal ponto que a sua figura se sobrepôs à de Rá, tornando-se assim Amon-Rá. A sua função é a de Rei dos Deuses e, muitas vezes, a devoção para com ele chega a transformar-se numa religião monoteísta que deixa pouco espaço para as outras divindades.
Traduzido do original, disponível aqui.
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