Será que o designer Soshi Otsuki, vencedor do Prémio LVMH, será quem vai assumir o legado da alfaiataria oversized de Giorgio Armani?
Giorgio Armani, por si só, redefiniu a forma como os homens ao redor do mundo se vestem. Alguns leitores mais jovens poderão pensar que foi Demna e o seu reinado de peças largas na Balenciaga que tornaram tendência as peças de alfaiataria com tamanhos grandes mas, na verdade, tudo começou com o grande professor italiano da moda masculina.
Infelizmente, com a morte do Sr. Armani e a mudança de Demna para a Gucci — onde agora apresenta silhuetas mais elegantes — ficou uma espécie de gap por preencher. Trazemos boas notícias, que é como quem diz, uma nova marca de moda masculina com um gosto especial por fatos oversized: a Soshiotsuki, cujo nome é uma homenagem ao seu fundador, Soshi Otsuki, nascido e baseado no Japão.
"A moda move-se sempre em ciclos, mas não se trata apenas de um vaivém entre o largo e o justo. O que importa são as proporções, o conforto e a atitude que se transmite", diz o designer a partir da sua casa em Tóquio.

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Acabado de regressar de Paris, onde recebeu o prestigiado Prémio LVMH em setembro, "pessoalmente, sinto-me fascinado por um corte que permita suavidade e movimento, em vez de restrições", afirma. "Mesmo que as silhuetas mais justas voltem a estar na moda, irei interpretá-las de forma a manter o caimento e a fluidez — refletindo sempre a identidade da marca".
Concebidos para assentar de forma solta no corpo, mantendo ao mesmo tempo uma silhueta elegante, os fatos de lã e viscose da Soshiotsuki parecem saídos diretamente do manual de estilo de American Gigolo (o Signor Armani vestiu, como se sabe, Richard Gere para o filme de 1981). Confortáveis mas elegantes e fáceis de usar, os fatos da marca representam a verdadeira essência do que a alfaiataria deve ser em 2026.
"Os moodboards estão repletos de imagens do trabalho de Giorgio Armani dos anos 80 e 90", afirma Otsuki. "Coleciono peças vintage da Armani e, muitas vezes, desfaço os forros para estudar o interior. A forma como ele utiliza a lona e a maneira como a coloca revelam uma intenção clara de criar um fit específico, o que me impressiona profundamente", acrescenta. "Inspirado por isto, desenvolvi o bolso de entretela da Soshiotsuki como uma nova forma de aplicar a tela".

Soshiotsuki S/S 2026
Cortesia Soshiotsuki
Para o Prémio LVMH, Otsuki foi selecionado por um júri de excelência (que incluiu Jonathan Anderson, Nicolas Ghesquière, Stella McCartney e Phoebe Philo). "Demonstrou emoção e mestria. Há a forma como ele constrói a alfaiataria — muito detalhada —, a forma como seleciona os materiais e, depois, há este espírito criativo", afirmou Delphine Arnault, fundadora do prémio e CEO da Christian Dior. "Foi bastante unânime".
"Jonathan Anderson disse-me que, como a minha visão é tão clara, talvez devesse vender diretamente, em vez de o fazer através do comércio retalhista", partilha Otsuki sobre o feedback que recebeu no dia da entrega do prémio. "[O antigo CEO da Dior] Sidney Toledano pareceu gostar particularmente do meu trabalho — chegou mesmo a pedir-me o contacto para poder comprar um casaco. Saber que alguém que usa diariamente fatos produzidos ao mais alto nível estava interessado deixou-me muito feliz".

Cortesia Soshiotsuki
Ganhar o Prémio LVMH é um bilhete de entrada para o mundo da prosperidade da moda — a recompensa consiste numa quantia financeira substancial e na orientação de figuras-chave do grupo de luxo mais poderoso do mundo. Entre os vencedores anteriores encontramos nomes como Satoshi Kuwata (da Setchu), SS Daley e Marine Serre, mas este ano marca a primeira grande vitória de um designer dedicado exclusivamente à alfaiataria. Para além da afiliação mais óbvia à Armani, as roupas de Otsuki são também cortadas com o caimento impecável dos mestres japoneses que abriram caminho antes dele. "Adoro especialmente Yohji Yamamoto e tenho mais de 100 peças. Só uso Soshiotsuki em ocasiões especiais", afirma.
O percurso de Otsuki até ao mundo da moda foi conturbado. Em criança, a avó insistiu para que ele entrasse na Academia Nacional de Defesa, onde pensava que viria a integrar as Forças de Autodefesa do Japão. No primeiro ano do ensino secundário, pensou em tornar-se camionista de longo curso, porque o salário era muito bom. "Quando tinha 15 anos, descobri um desfile da Dior Homme no YouTube", conta Otsuki. "Até então, para mim, a moda resumia-se simplesmente a vestir roupa, mas naquele momento percebi que a moda podia ser arte. Isso inspirou-me a seguir este caminho".
Então, porquê a alfaiataria? "No guarda-roupa atual, a alfaiataria não é apenas um símbolo de formalidade rígida, mas sim uma forma de expressar a individualidade. Da mesma forma que o vestuário casual domina, a alfaiataria funciona quase como um sinal ou um código", explica. "No entanto, mesmo nesta nossa era casual, o fato mantém as suas próprias regras — e é essa tensão que acho tão atraente".
Será que ele se vê como o herdeiro natural de Giorgio Armani? "Não posso dizer que esteja a herdar o seu espírito — isso pertence-lhe exclusivamente a ele. Mas o seu trabalho moldou profundamente a minha compreensão da alfaiataria: ideia de que um fato pode expressar descontração e serenidade, em vez de rigidez, através da suavidade e do caimento", afirma. "O meu objetivo não é substituí-lo, mas sim dar continuidade ao diálogo que ele iniciou e reinterpretá-lo na minha própria linguagem, para os dias de hoje".
Traduzido do original, disponível aqui.
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