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Raimy Lang: “Não poderia ter planeado uma melhor introdução ao mundo do cinema”

By Esquire Portugal 25 Sep 2026

De uma audição inesperada a um papel no mais recente épico de Christopher Nolan — “A Odisseia” — Raimy Lang reflete sobre a sua estreia surreal na representação, o profissionalismo que encontrou nos maiores talentos da sétima arte atual e os planos que mantém em aberto para o futuro. Fotografia de Le3ay. Styling de Valeria Semushina. Entrevista de Rita Petrone.

Quando a representação entrou na vida de Raimy Lang, fê-lo completamente por acaso. Após uma audição inesperada, deu por si num dos sets mais cobiçados da sétima arte contemporânea: A Odisseia, de Christopher Nolan. Neste épico do cinema, Lang interpreta a versão mais jovem da personagem de Robert Pattinson: Antinous, um dos principais antagonistas do filme. Agora, protagoniza este editorial para a Esquire Portugal, e conta-nos um pouco sobre a experiência de trabalhar com um dos nomes mais reconhecidos de Hollywood, assim como os planos (ou falta deles) que reserva para o futuro. Numa entrevista a ler abaixo.

Full look vintage, MAISON MARGIELA. Botas, 424.

Full look vintage, MAISON MARGIELA. Botas, 424.

Como é que descobriu que tinha uma paixão (e um talento) pela representação?
Sinceramente, aconteceu completamente por acaso. A minha irmã mais nova conseguiu um papel numa série e, pouco tempo depois, assinou contrato com uma agência, e foi por aí que acabei por conseguir uma audição para A Odisseia. Na altura, não estava a tentar entrar no mundo da representação e não havia nenhum grande plano por trás disso. Fiz a audição, de alguma forma consegui o papel e, de repente, estava num filme de Christopher Nolan. Foi provavelmente a forma menos convencional que poderia ter tido de entrar no mundo da representação. 

Full look vintage, MAISON MARGIELA. Botas, 424.

Top vintage, da produção. Calças vintage, MAISON MARGIELA. Cinto vintage, CAROL CHRISTIAN POELL.

Top vintage, da produção. Calças vintage, MAISON MARGIELA. Cinto vintage, CAROL CHRISTIAN POELL.

Recentemente, participou no filme A Odisseia, de Christopher Nolan. O que lhe passou pela cabeça quando descobriu que tinha conseguido um papel no filme?
Foi incrivelmente emocionante, mas também bastante surreal. Desde que me lembro que sempre fiz questão de ver todos os filmes de Christopher Nolan nos cinemas, por isso já tinha um enorme respeito por ele como cineasta. Passar de ver os seus filmes num cinema para, de repente, fazer parte de um foi difícil de assimilar. Compreendi imediatamente o quão invulgar era essa oportunidade. Não poderia ter planeado uma melhor introdução ao mundo do cinema.

Full look vintage, MAISON MARGIELA. Botas, 424.

Como foi a experiência? O que mais o surpreendeu ao estar num set de Christopher Nolan?
Provavelmente o facto de ter sido completamente diferente do que eu tinha imaginado. Seria de esperar que uma produção daquela dimensão fosse intimidante ou incrivelmente intensa, com toda a gente constantemente séria e a dar o seu máximo. Na realidade, o profissionalismo de todos os envolvidos criou um ambiente surpreendentemente descontraído. As pessoas eram incrivelmente simpáticas e informais, mas, ao mesmo tempo, todos eram excecionalmente bons no que faziam. Há um momento em Favignana que, para mim, capta mesmo isso. Todos os dias tínhamos de subir a pé esta montanha enorme para chegar ao castelo onde estávamos a filmar. No meu primeiro dia, estava nervoso, não fazia ideia do que esperar e já estava exausto a meio do caminho. Então, passou alguém de sobretudo e fato a correr por mim e, de forma descontraída, disse: “Aye, mate”, antes de continuar a subir a montanha a toda a velocidade. A minha mãe olhou para mim e disse: “É o Chris Nolan”. Quando finalmente cheguei ao topo, completamente sem fôlego, ele estava sentado à entrada a conversar com Hoyte van Hoytema, o diretor de fotografia. Foi uma introdução tão engraçada à realidade de estar num set como aquele. Todos, incluindo os outros membros do elenco, eram incrivelmente acessíveis.

Casaco, ENFANTS RICHES DÉPRIMÉS. Camisa, LOEWE. Calças vintage, YVES SAINT LAURENT. Botas, 424.

Casaco, ENFANTS RICHES DÉPRIMÉS. Camisa, LOEWE. Calças vintage, YVES SAINT LAURENT. Botas, 424.

O que aprendeu ao trabalhar com pessoas tão experientes?
Acho que a maior lição que aprendi foi que o profissionalismo não é necessariamente aquilo que imaginamos que seja. Esperava que as pessoas mais experientes estivessem constantemente concentradas e intensas, mas foi quase o contrário. As pessoas mais experientes pareciam confiar plenamente umas nas outras, e essa confiança criava um ambiente muito descontraído. Todos sabiam do que os outros eram capazes, por isso não havia necessidade de criar tensão. Isso é algo que vou certamente levar comigo daqui para a frente.

Casaco, ENFANTS RICHES DÉPRIMÉS. Camisa, LOEWE. Calças vintage, YVES SAINT LAURENT. Botas, 424.

A A Odisseia mudou a forma como encara a carreira de ator?
Sem dúvida. Antes de A Odisseia, eu nem sequer estava a dedicar-me à representação. Não era algo que tivesse planeado para mim. Agora, quero absolutamente continuar. Ter a oportunidade de iniciar a minha carreira de ator numa produção como A Odisseia foi uma introdução tão extraordinária à indústria que me fez querer ver até onde posso chegar.

Casaco, ENFANTS RICHES DÉPRIMÉS. Camisa, LOEWE. Calças vintage, YVES SAINT LAURENT. Botas, 424.

Casaco, ENFANTS RICHES DÉPRIMÉS. Camisa, LOEWE. Calças vintage, YVES SAINT LAURENT. Botas, 424.

Em que tipo de projetos espera trabalhar a seguir?
Estou genuinamente aberto a tudo. Não penso propriamente em termos de “quero ser um ator de ação” ou “só quero fazer dramas”. Para mim, o que importa é se o guião é cativante e quem está por trás dele. Se o material for interessante e os cineastas tiverem algo que queiram realmente dizer, fico interessado. O género é secundário em relação a isso.

Casaco, ENFANTS RICHES DÉPRIMÉS. Camisa, LOEWE. Calças vintage, YVES SAINT LAURENT. Botas, 424.

Também está a dedicar-se à carreira de modelo. Como é que vê a combinação entre a representação e o trabalho na moda?
Na verdade, encaro-as como duas atividades distintas nas quais me dedico igualmente. Nem a representação nem o mundo da moda estavam realmente nos meus planos antes de tudo isto acontecer. A Odisseia abriu-me uma porta que nunca esperei encontrar, e estou a tentar aproveitar a visibilidade e as oportunidades que daí advieram. Espero poder construir algo significativo em ambos os mundos, em vez de sentir que tenho de escolher um.

Camisola vintage, da produção. Camisa vintage, 424. Calças vintage, BALMAIN. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.

Camisola vintage, da produção. Camisa vintage, 424. Calças vintage, BALMAIN. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.

A sua carreira acelerou bastante rapidamente. Como tem sido essa adaptação?
É definitivamente estranho. Agora sou reconhecido em público, o que era algo completamente estranho para mim antes de A Odisseia. Mas, sinceramente, acho isso muito fixe. Também tenho tido muitas audições e callbacks, e tive a oportunidade de trabalhar com algumas grandes marcas de moda desde o filme. Tem sido uma transição bastante intensa, porque tudo aconteceu tão depressa. Estou principalmente a tentar apreciar tudo isto e a manter-me concentrado no trabalho.

Camisola vintage, da produção. Camisa vintage, 424. Calças vintage, BALMAIN. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.

Camisola vintage, da produção. Camisa vintage, 424. Calças vintage, BALMAIN. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.

O que espera que o público retenha do seu trabalho?
Acho que, em última análise, isso depende deles. Para mim, o essencial dos filmes é que cada um possa ter a sua própria interpretação. Duas pessoas podem ver o mesmo filme e sair com experiências completamente diferentes, e acho que isso faz parte do que torna o cinema tão interessante. Não quero necessariamente dizer às pessoas o que devem retirar do filme. Prefiro dar-lhes algo que as faça pensar ou sentir alguma coisa e deixá-las decidir por si próprias.

Blazer, PRADA. Camisa, calças e botas, 424. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.

Blazer, PRADA. Camisa, calças e botas, 424. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.

Onde gostaria de estar daqui a alguns anos?
Sinceramente, adoraria poder viajar, conhecer o mundo, trabalhar com pessoas interessantes e ganhar a vida a fazê-lo. Não tenho nenhum plano rígido de cinco anos. Estou mais interessado em aproveitar as oportunidades que me entusiasmam e ver onde elas me levam. Se conseguir construir uma carreira que me permita continuar a criar enquanto conheço diferentes lugares e culturas, isso seria uma vida fantástica.

Blazer, PRADA. Camisa, calças e botas, 424. Gravata, SAINT LAURENT BY ANTHONY VACCARELLO.
Editorial realizado em exclusivo para a Esquire Portugal.

TalentoRaimy Lang | @raimylang
FotografiaLe3ay | @le3ay
StylingValeria Semushina | @valeriasemu
CabelosNathaniel Dezan | @nathanieldezan
MaquilhagemKendell Cotta | @kendellcotta
Técnico DigitalDavid Jung | @davidejung_
LuzAndy Lei | @nd_lei
EntrevistaRita Petrone | @rita.petrone
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