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O icónico Heuer Monaco de Steve McQueen está finalmente à venda

By Johnny Davis 26 May 2026

Steve McQueen no set do filme "Les Mans" em 1971. Fotografia de: Michael Ochs Archives/Getty Images.

O relógio está avaliado em 1 milhão de dólares.

O Heuer Monaco, o relógio mais emblemático de sempre a ir a leilão, chega a Nova Iorque em junho — e ao contrário do que é habitual, traz consigo uma afirmação difícil de pôr em causa. 

Apresentado pela Sotheby's no seu leilão Important Watches a 15 de junho, o relógio é descrito como o exemplar que Steve McQueen mais usou durante as filmagens de Le Mans.

Dos sete relógios com esfera azul fornecidos à produção em 1970, este exemplar é o que Don Nunley, responsável pelo cenário do filme, guardou para si e, segundo o seu próprio relato, foi o relógio que passou mais tempo no pulso de McQueen.

"Para mim, este vai estar sempre entre os cinco melhores relógios com os quais já estive associado", afirma Geoff Hess, diretor global de relógios da Sotheby’s e responsável pelo evento de colecionadores de renome mundial Rolliefest. "É, sem dúvida, o Heuer mais importante do planeta".

A história por detrás deste relógio é curiosamente simples. ”O nosso remetente comprou-o diretamente a Don Nunley”, diz Hess. ”Ele era o responsável pelo material da Solar Productions durante as filmagens de Le Mans, encarregado de todos os acessórios, incluindo os relógios. No final das filmagens, ficou com alguns deles. Vendeu-os todos, exceto um – guardou o melhor para si. E, segundo ele, este foi o que Steve McQueen mais usou”.

Cortesia do património de Steve McQueen/Sotheby's

Isto é importante porque, em termos de leilões, o relógio corresponde quase na perfeição ao que os colecionadores procuram. "Quando penso em relógios de coleção, há certos requisitos que gostamos de ver cumpridos", afirma Hess. “O primeiro é a proveniência. Temos uma prova absoluta e incontestável de que este foi o relógio usado por Steve McQueen no filme. O segundo, novidade no mercado. Este nunca foi visto. O nosso remetente comprou-o em 2008 e tem-no guardado desde então. E depois, claro, há a ligação a Hollywood. Portanto, temos a celebridade, o estatuto de novidade no mercado e a prova, tudo junto”.

A novidade é particularmente importante. "É difícil quantificar em termos percentuais o valor acrescentado que isso representa", afirma Hess. "Mas, sem dúvida, os relógios recém-chegados ao mercado são considerados novas descobertas, e os compradores pagam um preço mais elevado por isso. Não há dúvida. Se este tivesse sido vendido cinco ou seis vezes em leilões públicos, teria um pouco menos de encanto".

Hess já o acompanhava há algum tempo. "Tenho-o de olho há anos", diz ele. "Não sabia que iria ficar disponível, mas sabia onde estava".

Cortesia do património de Steve McQueen/Sotheby's

O que distingue ainda mais este exemplar é o arquivo que o acompanha. “Vem com o que chamamos de um cofre com cerca de 400 documentos e talvez 200 fotografias”, diz Hess. “Essencialmente, está a comprar um museu do Heuer. Nunca vi nenhum relógio com tanta documentação – recibos, cartas, todo o tipo de material.” Grande parte vem diretamente de Nunley, incluindo um relato detalhado de como o relógio foi selecionado.

Essa história tornou-se, desde então, parte do folclore do mundo dos relógios. McQueen escolheu inicialmente um Omega Speedmaster. Nunley interveio. “Se usas um emblema da Heuer, precisas de um relógio Heuer”, diz Hess. “Aparentemente, McQueen tinha escolhido inicialmente o Speedmaster, e foi Nunley quem insistiu que devia combinar. Podes imaginar a que essa única decisão levou – todas as edições do Monaco, as imagens. Teve um papel enorme em tornar a Heuer uma marca muito mais proeminente.”

Sotheby's

Na altura, a edição Monaco era um caso à parte. Lançado em 1969, foi um dos primeiros relógios cronógrafos automáticos e um dos primeiros relógios com caixa quadrada resistentes à água. A sua forma era o que importava, um objeto moderno e marcante que se destacava dos restantes relógios desportivos redondos da época. "Quando se pensa num Heuer quadrado, pensa-se no Monaco", afirma Hess. "É o mais icónico".

Cortesia do património de Steve McQueen/Sotheby's

Cortesia do património de Steve McQueen/Sotheby's

Os relógios que sobreviveram à produção de Le Mans, têm vindo a aparecer gradualmente. Três ficaram com Nunley; dois foram vendidos, e um deles está no museu da TAG Heuer. Outro exemplar, associado à pré-produção, foi vendido na Sotheby’s de Nova Iorque em 2024 por 1,4 milhões de dólares. Este é o último das peças de Nunley a chegar ao mercado, e o mais diretamente ligado ao próprio McQueen.

Desde 1985, quando a Heuer foi adquirida e passou a chamar-se Tag Heuer, o relógio tem sido relançado várias vezes, a caixa quadrada e o ponteiro azul regressam em edições limitadas e campanhas que continuam a invocar a imagem de McQueen. Poucos relógios estão ligados de forma tão próxima a um único momento.

Com uma estimativa conservadora de 500 mil a 1 milhão de dólares (370 mil – 740 mil libras), este exemplar tem um significado diferente. Não se trata apenas de ser raro, mas também pela sua narrativa, como diz Hess, "um relógio extraordinariamente especial" – uma peça da história do cinema, cujo significado vai muito além do pulso.

Traduzido do original, disponível aqui.

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