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Se a Rainha de Inglaterra tivesse o poder de influenciar os Beatles, ela também não teria permitido que eles acabassem em 1970. Os Beatles teriam continuado, numa magical mistery tour, em eterna digressão pelo mundo, até morrerem de velhos.
A seleção portuguesa transformou-se na Magical Mistery Tour de Cristiano Ronaldo. Nada contra. É capaz de ser uma boa ideia: o Cristiano monta uma equipa, e vai para a estrada fazer jogos amigáveis pelos quatro cantos do mundo, a promover as boas ideias e projetos em que ache por bem envolver-se.
Mas o mundial não é uma demonstração de virtudes humanas, apenas desportivas. No desporto de alta competição o lugar da sabedoria e da experiência é mais importante do lado de fora. Por razões de velocidade, fôlego e acima de tudo, de perspetiva. Para quem sabe mais do que os outros, há muitas, muitas coisas a fazer do lado de fora.
Roberto Martinez foi contratado para convencer os portugueses que Cristiano Ronaldo, a maior estrela da história do país, tem lugar em campo. Os fãs não precisavam dele para nada, já estavam convencidos. Mas os outros, os que não se deixaram convencer, só podiam ser calados com resultados. O jogo árido de ontem contra a Espanha encerra o assunto desportivo. Cabe ao próximo selecionador escolher o caminho: competitivo ou simbólico?
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