Fotografia: Shaun Botterill/Getty Images
Confesso que estava cínico com esta Argentina que nada mudou depois de sagrar-se campeã do mundo, a não ser o facto dos mesmos jogadores estarem quatro anos mais velhos.
Ter eliminado com tantas dificuldades equipas como Cabo Verde, Egipto ou Suíça levou-me a acreditar que a Inglaterra os devolveria à realidade de que a terra se move. Quando Anthony Gordon marcou, pensei que a equipa de Scaloni se ia desmoronar como um castelo de cartas.
Mas depois do golo da Inglaterra de Bellingham, Kane vendeu a alma ao diabo para seguir em frente. Os seus jogadores – os onze – fecharam-se na grande área como se estivessem a esconder-se do lobo mau. Após uma série de defesas providenciais, Pickford arriscou mesmo tornar-se no melhor jogador em campo.
Só que a Argentina estava a ser dirigida pelo maestro da grande magia. O jogo tornou-se uma demonstração cintilante de tudo o que fez de Messi o génio da lâmpada. Foi um espetáculo de gala, uma demonstração completa da sua cabeça visionária. Os golos de Enzo Fernandez e de Lautaro Martinez selaram em apoteose meia hora épica. Quando o jogo acabou, tremia-se de espanto. Havia muita gente em choque: quem ganhava perdeu, quem perdia ganhou.
A Inglaterra de Tuchel sai deste Mundial com o mais desgraçado dos títulos: os de campeões da covardia, assim com v e tudo para ser mais vergonhoso. Mourinho disse em tempos esta frase medonha: “as finais não se jogam, ganham-se.” Iludido pela ideia de chegar assim à final, Tuchel manipulou a Inglaterra para não jogar. A derrota que sofreu, com a final no bolso, teve qualquer coisa de castigo divino.
A final de domingo joga-se no estádio MetLife, em Nova Jersey, onde vivem mais de dois milhões de latinos, cerca de 22% da sua população. Já a final é 100% hispânica. Qualquer que seja o resultado, o vencedor já fala espanhol. Olé!
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10 Jul 2026