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"Love Story": o romance mais emocionante deste ano pertence a JFK Jr. e Carolyn Bessette

By Henry Wong 31 Mar 2026

Disney

Chegou a altura de nos apaixonarmos pelos anos 90... outra vez.

Um dos factos mais intrigantes sobre a nova série antológica de Ryan Murphy, depois de American Horror Story e American Crime Story, passa pela sua nova série não incluir o termo "American". O criador apresentou o seu mais recente projeto sob o nome de Love Story. O que se está a passar?

Será isto uma afirmação sobre a universalidade do amor? Uma força tão poderosa que consegue transcender as fronteiras turbulentas dos Estados Unidos? Ou será um estratagema cínico para a expansão internacional – caso se esgote o stock de histórias americanas para adaptar, a equipa de produção pode remar até ao estrangeiro para procurar inspiração. Caso isso aconteça, há um certo membro da realeza britânica que gostávamos de sugerir. Quem sabe... Não vou fingir saber o que se passa na mente de um executivo de televisão. Por enquanto, estamos firmes em território americano. 

Os nove episódios de Love Story contam a história de JFK Jr. — filho de John F. Kennedy, presidente americano assassinado em 1963 — e de Carolyn Bessette. É difícil imaginar uma história mais americana do que o romance condenado ao fracasso entre o príncipe de uma família que se ergueu a partir do zero e uma mulher brilhante que chegou à narrativa quase do nada. Paul Anthony Kelly tem, sem dúvida, ar de Kennedy e confere ao homem (e à personagem) humanidade: é simultaneamente muito seguro de si e um pouco perdido. Sarah Pidgeon assemelha-se fisicamente menos a Bessette, o que a ajuda a fundir-se no papel. É uma interpretação autêntica, com momentos inesperados. Totalmente viva e encantadora.

Referi num artigo sobre "Wuthering Heights", de Emerald Fennell, que as melhores histórias de amor têm finais infelizes. Obviamente, isso é um pouco diferente no que diz respeito às histórias verídicas, onde gostaria que todos pudessem ter um final feliz e, quiçá, enfadonho. Este não é, evidentemente, um desses casos. Para quem nasceu antes dos anos 2000, sabe como esta história termina. Mas talvez não se lembre como começou.

Segundo a série, o casal conhece-se numa festa organizada pelo patrão de Bessette, Calvin Klein, e a química surge de forma imediata. Marcam um jantar, mas a vida de John atrapalha. Por "vida", refiro-me à sua ansiedade existencial (deverá ser advogado? Deverá lançar uma revista?) e à sua namorada intermitente, Daryl Hannah (Dree Hemingway, que dá o seu melhor para dar vida a uma caricatura). O casal, que se conheceu em 1992 e casou em 1996, é uma fonte quase infinita de material pronto para ser adaptado ao pequeno ecrã: galas, apartamentos em Nova Iorque, muitas conversas no passeio. Os atores têm uma química óbvia – tal como Kennedy e Bessette, segundo quem os conhecia –, mas também conseguem captar o lado mais volátil do casal. Durante anos, andam à volta um do outro, sem nunca dizerem bem o que querem dizer, nem agirem de acordo com os seus desejos.

À volta de Carolyn e John, existe um íman televisivo: a indústria da moda de Nova Iorque e a vida da elite dos anos 90. Jackie O (Naomi Watts) faz declarações sobre a família Kennedy: é difícil ser como eles, e acabamos por acreditar nela. Entretanto, a sua filha Caroline (Grace Gummer), um pouco oprimida, tenta colmatar as divisões que se fazem sentir dentro da família. Estou a ser simplista, mas as cenas familiares são comoventes, especialmente a interpretação de Watts dos últimos dias de Jackie. E não podemos deixar de mencionar a banda sonora: encantadora e nostálgica.

A controvérsia em torno desta série é extensa. As primeiras imagens dos figurinos foram alvo de críticas, o que provou ser um bom sinal para uma série sobre um casal (também) conhecido pela sua estética. Jack Schlossberg, sobrinho de JFK Jr., criticou a série, afirmando que Murphy e a sua equipa estão a "lucrar" com o legado da sua família. Trata-se de uma acusação mais grave e, independentemente das intenções de quem quer que esteja envolvido, é difícil discordar do argumento de Schlossberg. Eu não gostaria de ver a minha vida familiar a ser transmitida e eternizada na televisão.

A verdade é que os Kennedy são, para o bem e para o mal, feitos para o ecrã, e, ao longo dos anos, já surgiram imensas produções medíocres sobre eles. Pelo menos esta série está bem feita. Seis dos nove episódios foram escritos por Connor Hines, e o guião tem um bom ritmo que é generoso para com a maioria dos envolvidos (mais uma vez: Daryl Hannah, ouch).

É fácil perceber por que razão Kennedy e Bessette continuam a ser uma eterna fonte de fascínio. Basta dar uma vista de olhos em qualquer conta do Instagram dedicada a moda para ver fotos de paparazzi do casal a passear pelas ruas de Manhattan. Reparem nas calças de ganga de Carolyn! Reparem nos bonés de JFK Jr.! Mas a série também compreende como a curiosidade pode transformar-se em obsessão. Aqui está uma história sem desfecho: duas pessoas bonitas, um intenso escrutínio da comunicação social, um acidente de avião ao pôr-do-sol. E absolutamente nada disso teria importância sem uma história de amor realmente boa à mistura.

Love Story: John F. Kennedy & Carolyn Bessette está disponível na plataforma Disney+.

Traduzido do original, disponível aqui.

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