Kylian Mbappe, da Seleção Francesa. Fotografia: Buda Mendes/Getty Images
Hoje, joga-se o França-Marrocos no arranque dos quartos de final. Para quem gosta de pensar nas seleções não apenas como equipas, mas como símbolos que representam uma identidade nacional, este é o jogo mais desconcertante do Mundial.
Para quem leva a identidade nacional mesmo a sério, o caso chega a ser cómico, já que a maioria dos jogadores de ambas as equipas nasceram no mesmo país, a França, e a esmagadora maioria dos jogadores, outra vez de ambas as equipas, são descendentes de países africanos.
Na equipa principal, Rabiot é o único jogador de famílias francesas; até os irmãos Hernandez são de ascendência espanhola.
O caso marroquino chega a ser esquizofrénico: nem um jogador nascido em Marrocos. Todos eles são descendentes que nasceram e cresceram em França, Espanha, Bélgica, Holanda. O guarda-redes Yassid Bonou, que nasceu no Canadá, ainda chegou a jogar num clube de Casablanca, os outros nem isso.
O que é que valorizamos, quando valorizamos a identidade nacional? O sangue? Então estas duas equipas são ambas africanas, à exceção de um ou outro caso pontual. Ou valorizamos a educação? Então são as duas europeias.
Zidane, o maior jogador francês que vi jogar, podia ter escolhido representar a Argélia; e até Platini, belíssimo jogador, o grande ídolo francês dos anos 80, podia ter escolhido representar Itália, já que os seus pais eram os dois filhos de imigrantes italianos.
O que é que distingue, então, os jogadores de ambas as equipas? Provavelmente, pouco mais para além da escolha.
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