Carta ao leitor
Caro leitor, tenha comprado esta edição por curiosidade, por impulso, por ter gostado da capa ou porque já era leitor da Esquire de outro país, qualquer que tenha sido o motivo, tem nas suas mãos uma edição de colecionador. Qualquer edição número um de uma publicação é uma peça a guardar. Ainda mais quando se trata da primeira edição em Portugal de uma das revistas de lifestyle mais prestigiadas no mundo.
Parabéns por fazer parte de um grupo de pessoas realmente especial, que na era do digital, privilegia a chamada Slow Media. Um grupo que dá valor ao tempo para a leitura, que valoriza o conteúdo com uma curadoria cuidada. Apreciador de fotografia em papel, da importância do objeto físico. Algo que lhe pertence, que faz parte da sua história, das suas coleções. Esta nova tendência de slow media é o oposto de uma lógica que vingou nas redes sociais. Há cada vez mais estudos que comparam a leitura em papel versus a leitura em digital. As diferenças são abismais. O cérebro fica em modos diferentes conforme o suporte. No digital lê mais rápido, salta partes do texto. O cérebro prepara-se para ser interrompido, quando volta à leitura, tem menos noção do momento em que estava, quando interrompeu. No papel a experiência é mais rica, há o cheiro, o toque do papel, o som das páginas a virar, é uma experiência emocional, memorável. O cérebro cria no papel um mapa físico da informação, se estava na página da direita, se estava mais ou menos a meio da revista, perto daquela imagem. O cérebro usa pistas espaciais para memorizar o conteúdo. Uma revista é um símbolo de identidade intelectual e também espacial, faz parte da decoração, do ambiente da sua casa.

Fernando Pessoa dá as boas vindas a Esky (a mascote da Esquire) na sua chegada a Portugal.
Este voltar ao físico, ao analógico, cria o paradoxo de jovens a descobrir o papel, sobretudo a Gen Z. Uma primeira edição é sempre especial, até nas imperfeições. Ao finalizar este número 1 da Esquire, já estamos a pensar em melhoramentos para a próxima edição. Em nome de toda a equipa e colaboradores, o nosso obrigado por pertencer a um grupo de pessoas que acredita que o papel faz parte do presente e é essencial para um futuro de imprensa responsável. Esperamos passar a fazer parte do seu dia a dia e da sua identidade cultural. Que a nossa revista encontre um lugar na sua estante e se torne parte da sua coleção, a qual, um dia, possa partilhar com alguém especial. E que essa pessoa, ao folhear estas páginas no futuro, consiga imaginar o leitor, você, a ler os mesmos artigos que tem agora nas mãos. Essa é a magia do papel.
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