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Em Toronto assistimos a mais do que duas equipas em disputa. Foi um ritual de despedida.
Foi eletrizante, cada minuto a ser espremido até ao esgotamento nervoso. Fiquei até com a ideia de já ter visto jogos com prolongamento que duraram menos tempo do que este. As pausas e interrupções tiveram tanto drama como os momentos de bola a correr. Portugal e Croácia – estou a fazer de conta que não pertenço a nenhum destes países – são equipas admiráveis, vêm de países pequenos (a Croácia tem menos de 4 milhões de habitantes), nos cantos montanhosos da Europa à beira-mar. Mesmo assim, em cada geração descobrem algum talento, que aliado à paixão pelo jogo costuma produzir equipas duras de roer.
A equipa que ontem se despediu do Mundial, encerra uma geração belíssima, onde pontificaram jogadores como Módric e Perisic, que agora já não têm margem para outra coisa que não se reformarem, pelo menos da seleção. Em dois mundiais consecutivos conseguiram chegar a uma final, que perderam para a França, e a uma meia-final, onde foram eliminados pela Argentina que veio a tornar-se campeã. Honra portanto a esta Croácia. Em rigor nem foi a seleção portuguesa a derrotá-la – foi o VAR. Há jogos que se decidem nos penáltis, este decidiu-se em decisões de VAR. Não nos esqueçamos que tivemos a nosso favor um penálti e dois golos anulados por VAR. A imagem de Cristiano Ronaldo e Módric abraçados no fim – eles que partilharam grandes conquistas no Real Madrid – ficará para o álbum de fotografias. Não é em todos os Mundiais que duas glórias, já na meia idade, se encontram em campo para uma última dança.
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