Fotografia: NurPhoto
O novo ideal masculino deixou de ser sobre manter um aspeto juvenil e perfeito. Agora, traduz-se num rosto saudável, pele hidratada, cabelo com movimento e fragrâncias suaves.
Se há um realizador que redefiniu a beleza masculina nos últimos anos, esse realizador é provavelmente Luca Guadagnino (realizou filmes como Call Me by Your Name e Challengers). Os seus protagonistas parecem ter acabado de sair da água (e não do cabeleireiro). O cabelo húmido, a pele a conservar o brilho que a água deixa nos ombros, camisas abertas como se tivessem acabado de secar ao sol e uma sensação de frescura permanente. Quase não fazem nada para parecerem atraentes — e isso, precisamente, faz parte do seu encanto hipnótico Transmitem outra coisa: tranquilidade, saúde e verão. Talvez quem melhor resuma esta essência no imaginário coletivo neste momento seja Ferran Torres, um dos campeões do mundo: o cabelo húmido e o bronzeado fazem com que pareça ter saído do casting de qualquer um dos filmes de Guadagnino.

Michael Regan - FIFA / Getty Images
Esta estética chegou ao mundo da cosmética. O ideal masculino já não procura uma imagem excessivamente trabalhada: quer transmitir bem-estar. Parecer que se dorme bem, que se vive sem pressas e que se acabou de sair do duche, mesmo que se tenha passado o dia todo fora de casa. “Os homens querem ter bom aspeto, mas sem que se note que fazem algo de especial”, afirma María Casado, fundadora da Wellness Boutique. “Querem que lhes digam que têm um ótimo aspeto ou um ar tranquilo”.

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O aspeto que parece natural
A beleza já não é sinónimo de perfeição. Nem de barbas perfeitamente delineadas, penteados inalteráveis, perfumes intensos ou retoques estéticos que deixam marca. “O ideal do homem inflexível deu lugar a uma masculinidade que integra o autocuidado e a sensibilidade”, explica Cristina Alonso, responsável pela Formação da Sisley. “Os homens normalizaram o uso de rotinas de cuidados com a pele para realçar a sua própria essência, em vez de a esconder ou transformar por completo”.
“O verdadeiro luxo na beleza masculina atual evoluiu para a invisibilidade”, afirma Alonso. “A sofisticação já não reside em tratamentos evidentes, mas sim num aspeto saudável e natural que parece ter sido alcançado sem esforço”.
María Casado percebe exatamente a mesma transformação no consultório. “Há alguns anos, muitos homens vinham quase com vergonha. Agora acontece exatamente o contrário. A maioria diz-nos que não querem parecer outra pessoa; só querem livrar-se do ar cansado”.
Uma pele bonita pode ser construída
Os três especialistas concordam com a mesma ideia: a palavra-chave já não é perfeição, mas sim saúde. Não falam de brilho, nem de pele perfeita, falam de uma pele que funciona bem. “Uma pele hidratada é o pilar fundamental do efeito boa aparência”, afirma Cristina Alonso. “Confere volume, suaviza as rugas de expressão e reflete a luz de forma natural, fazendo com que o rosto pareça descansado e saudável”.

Timothée Chalamet e Armie Hammer em Call Me by Your Name.
Sony Pictures
Para Héctor Núñez, farmacêutico e criador do Cosmetocrítico, é aí que reside um dos erros mais frequentes. “Usar mais produtos não é sinónimo de obter melhores resultados”, conta. A luminosidade não surge após a aplicação de um cosmético de efeito imediato. “A luminosidade é como treinar no ginásio: não se consegue de um dia para o outro. É um trabalho contínuo com os ingredientes adequados”.
A conclusão pode ser — talvez — enfadonha de ouvir, mas funciona: uma rotina de cuidados eficaz. Limpar sem agredir a pele, manter a barreira cutânea em bom estado, hidratar, proteger do sol e utilizar fórmulas leves adaptadas a cada tipo de pele. Uma boa aparência não se consegue escondendo o cansaço com corretor, mas sim fazendo com que a pele se defenda melhor dos sinais de fadiga.
Os perfumes suaves
Com o cabelo e os perfumes acontece o mesmo que com os cuidados faciais. Os penteados rígidos e polidos deram lugar a produtos que mantêm o movimento do cabelo. Os perfumes já não procuram anunciar a sua presença assim que se entra pela porta. “As fragrâncias frescas são o cerne absoluto desta tendência”, explica Cristina Alonso. “São perfumes com sensação de segunda pele que amplificam a sensação de limpeza, sem um rasto pesado ou invasivo”.
Héctor Núñez resume essa nova filosofia com uma expressão: “Atração sem esforço aparente”. Uma imagem que coincide com o aspeto descansado e como se tivesse acabado de sair do duche de Ferran Torres e das personagens de Guadagnino, e que diz menos sobre como se arranja e mais sobre como gostaria de viver.

Andrew J. Clark/ISI Photos / Getty Images
Traduzido do original, disponível aqui.
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