Do palco do Teatrão ao papel de Tony Carreira em "TONY", Carlos Félix fala sobre a arte da representação e da música que não quer separar, a pureza da primeira vez diante das câmaras e a vontade de arriscar com cada nova personagem. Fotografia de Pedro da Silva. Styling de Mónica Lafayette. Entrevista de Francisca António.
Carlos Félix nunca sentiu que tivesse de escolher. Nascido em Coimbra, começou no Teatrão, passou pelo Conservatório — onde estudou canto e guitarra clássica — e estreou-se em televisão aos 11 anos — em Uma Canção para Ti. Com o tempo, a representação foi ganhando espaço até se tornar visceral, e a música e a arquitetura (em que também se formou) acabaram por se revelar parte da mesma imagem. Venceu o prémio de Melhor Ator do Polo com Ilusões e ganhou maior visibilidade ao interpretar Tony Carreira, o seu primeiro protagonista, numa série biográfica sobre o ícone da música portuguesa. Agora, conta-nos como constrói uma personagem a partir do ritmo e do silêncio, o que o teatro lhe ensinou que o audiovisual não replica e porque prefere não sentir demasiado conforto em nenhum território. Numa entrevista para ler abaixo.
Nasceu em Coimbra e começou no Teatrão, passando depois pelo Conservatório de Música em canto e guitarra clássica — como é que esse percurso moldou a forma como constrói uma personagem hoje?
Acho que o ensinamento principal que tenho trazido do meu percurso é ouvir antes de fazer. Quando estudamos música, percebemos muito cedo que não chega saber as notas e ler uma partitura para a tocar. Há um tempo, uma respiração, uma intenção. Aquilo que acontece entre duas notas é tão importante quanto as notas em si. Na representação sinto que é exatamente a mesma coisa. Às vezes o que uma personagem não diz interessa-me mais do que aquilo que está escrito, precisamente porque é isso que a diferencia. É isso que define o seu ritmo. Gosto de pensar que há personagens que entram numa sala e alteram imediatamente o tempo e a frequência dessa sala. Isso pode estar na voz, num gesto, numa maneira de respirar, na forma como ouve e responde. Uma personagem tem uma musicalidade própria, por isso é que, tal como uma música, tento procurar qual é o ritmo dela, onde acelera, onde se contém, onde respira.
Já o teatro deu-me outra coisa. A consciência do corpo. O teatro obriga-nos a perceber que pensar uma personagem não chega. Temos de encontrar uma maneira física de ela existir. Há que a materializar numa realidade em que ela não existe sozinha. Uma personagem constrói-se também na relação com quem está à nossa frente e por isso, para mim, construi-la é procurar uma espécie de frequência até começar a acreditar naquela pessoa. Talvez por ter começado tão novo nestes dois universos, penso muito neles da mesma forma. Não os consigo dissociar no meu método de trabalho.
Full look, DAVID CATALÁN. Cinto, PROTHABITAU. Botas, FLY LONDON.
Passar tantos anos a estudar canto e guitarra clássica, em paralelo com o teatro, foi sempre um caminho claro, ou houve dúvidas sobre qual rumo seguir?
Nunca foi claro, houve sempre muitas dúvidas e acho que ainda bem porque me manteve sempre nas duas áreas. Ainda hoje não sei se gosto muito da ideia de ter de escolher um único rumo. Durante muito tempo achei que, a determinada altura, teria de decidir ser ator ou músico e questionei-me se isto podia realmente ser uma profissão. Depois a sociedade faz-nos também alguma pressão para perceber o que é que queremos ser, e aí temos de escolher uma área. Hoje percebo que não tem necessariamente de ser assim.
A música foi a minha primeira paixão e foi a porta de entrada para o meio artístico, mas a representação apareceu logo a seguir e foi ganhando espaço a ponto de se tornar visceral. Depois a vida também não é propriamente uma linha reta. Formei-me também em Arquitetura, continuei a trabalhar, fiz castings, teatro, televisão, música. Acabei por construir um cenário de múltiplas áreas onde me insiro. Durante alguns anos parecia que estava a tentar montar um puzzle com peças de caixas diferentes e sentia que me faltava definição. Hoje vejo que é o contrário. Percebo que talvez façam todas parte da mesma imagem, e essa imagem é o que me define, porque todos nós somos um universo único de coisas e este é o meu. Há coisas que só compreendi enquanto ator porque estudei música. E há uma sensibilidade para me instalar no espaço, para as proporções, para a observação que provavelmente também vem da arquitetura. Nós acabamos sempre por carregar uma bagagem connosco que vamos enchendo de diferentes coisas ao longo da vida. Acima de tudo, vejo-me como um artista. Essa é a certeza. Depois há momentos em que estou mais próximo da representação e outros em que a música ocupa mais espaço. Ainda tenho dúvidas. Mas já não tenho tanta necessidade de as resolver. Talvez seja isso que mudou com o tempo.
Full look, DAVID CATALÁN.
Há alguma memória de infância ou de família, ligada à música ou ao teatro, que sente que o trouxe até aqui?
Eu não sei o momento em que percebi que queria ser ator ou cantor, mas olhando para trás, claramente estavam ali todos os sinais desde sempre. E começaram com os estímulos que tive principalmente com a minha mãe, que desde pequeno sempre me cantou canções que ainda hoje vamos recordando. É provavelmente uma das imagens mais antigas e bonitas que tenho dessa relação com a música. Tenho também presente a imagem da minha avó materna a cantar. Não há um encontro de família em que ela não se faça ouvir e eu sempre fiquei muito atento a isso. Não apenas à voz. Mas ao que acontecia às pessoas quando ela cantava, quer fosse numa sala de casa ou na igreja. Acho que foi aí que percebi pela primeira vez que alguém pode transformar uma sala através da voz. Isso ficou comigo.
Apesar de vir de uma família grande, sou filho único. Isso fez com que me refugiasse muito na arte. Não propriamente criando uma relação intelectual com ela, mas emocional. Passei horas da minha infância a ver televisão, a ler, a descobrir músicas e a sonhar com um universo que construí desde cedo na minha cabeça. E depois tive uns pais que me permitiram experimentar, que foi fundamental. Quando se é miúdo não sabemos dizer “quero ser artista”. Sabemos apenas que há uma coisa que nos chama constantemente. Eu tive a sorte de ter tido espaço para seguir essa curiosidade.
Mesmo não sendo este o caminho mais previsível do mundo, e mesmo com todos os medos que acredito terem sentido, nunca me disseram que era impossível, pelo contrário. Sempre me incentivaram a ir. Isso foi muito importante, sobretudo quando comecei a perceber que era mais do que uma brincadeira de criança e que iria levar isto a sério.

Full look, H&M ATELIER. Jóias, ALCINO SILVERSMITH.
Estreou-se em televisão ainda muito jovem, em Uma Canção para Ti. Como olha hoje para esse primeiro contacto com as câmaras?
Com alguma ternura, porque eu não tinha consciência nenhuma do tamanho daquilo. Tinha 11 anos. Para mim estar ali não era estar em televisão e ter uma audiência. Era ser uma criança que gostava de cantar, conhecer pessoas, fazer amigos, estar num sítio que me fascinava com pessoas que via na televisão e que admirava. Não existia ainda aquela autoconsciência que aparece mais tarde de pensar na câmara e de me posicionar, pensar no resultado, pensar no que os outros vão achar. E talvez por isso haja uma coisa muito pura nessa memória.
Mas sei que teve um impacto enorme em mim. Sei que me senti logo muito confortável naquele ambiente, quase como se tivesse encontrado um lugar que reconhecia. Foi provavelmente a primeira vez em que pensei seriamente “eu gosto de fazer isto.” Tanto que depois do programa comecei a procurar formação de outra maneira, entrei no Conservatório, aproximei-me ainda mais do teatro. Portanto, olhando para trás, vejo aquele momento menos como uma estreia televisiva e mais como o momento em que uma brincadeira começou a transformar-se numa possibilidade de vida.
Hoje, quando estou num plateau, há evidentemente muito mais informação dentro da minha cabeça do que naquela altura. Sei onde está a câmara, sei melhor o que estou a fazer tecnicamente, conheço as responsabilidades daquele trabalho. E recordando essa experiência, às vezes gostava de conseguir recuperar um bocadinho daquele miúdo. Não a ingenuidade, mas a liberdade. Porque quanto mais aprendemos sobre uma profissão, maior é a tendência de sentirmos o perigo de começarmos a controlar demasiado aquilo que fazemos. O que guardo daquele momento, é isso mesmo. Não sentir o perigo.
Fato, DAVID CATALÁN. Tank Top e sapatos, H&M ATELIER.
Ganhou o prémio de Melhor Ator do Polo, com Ilusões — que memória guarda desse reconhecimento?
Guardo sobretudo a surpresa da nomeação. Lembro-me mais do que significou naquele momento do que propriamente do prémio. Era muito novo e ainda não existia uma ideia de carreira. Fazia teatro porque precisava de o fazer para me sentir completo. De repente alguém externo e que não conhecemos reconhece o nosso trabalho e isso, quando somos novos, tem peso. É quase uma pequena autorização para continuarmos. Alguém validou uma coisa que eu começava a sentir interiormente que me preenchia.
Hoje, tendo um pouco mais de consciência do tamanho da profissão e de tudo aquilo que ainda tenho para aprender, sei que naquela altura foi um pequeno empurrão que me deu confiança para continuar. Não que essa validação fosse necessária, até porque hoje vejo isso de outra maneira, mas sem dúvida que foi importante. Hoje em dia, acho que um prémio pode ser muito bonito e é incrível quando vem, mas tento ser consciente de que não pode responder à pergunta essencial, que é se fiz bem o meu trabalho. Há uma data de variáveis que faz com que essa pergunta nunca tenha uma resposta. E talvez até seja por isso que vamos continuando.
Em TONY, encarna Tony Carreira, um ícone da música portuguesa. Como preparou este papel, sabendo que há uma responsabilidade de retratar alguém real?
Foi provavelmente o trabalho para o qual senti maior responsabilidade até hoje. Precisamente porque não estamos a criar alguém do zero. Estamos a representar uma pessoa que existe, que toda a gente conhece e sobre quem cada pessoa já tem uma imagem formada. A primeira vontade foi não fazer uma imitação e esforçar-me por fugir à caricatura. A imitação é relativamente sedutora neste tipo de personagem. Claro que houve um trabalho de se tentar chegar a uma voz, gestos reconhecíveis e uma forma específica de estar que se reconhece. Se nos concentrarmos nisso, conseguimos construir uma imagem exterior convincente. Mas se tivesse sido só isso, corria o risco de não chegar à pessoa. E mais do que o que se conhece, interessava-me perceber quem era o homem antes de ser a figura.
Vi muitas entrevistas, fui muito ao arquivo, ouvi música, tentei perceber o percurso dele, a relação com a família, as ambições, as inseguranças daquela altura, o que o levou a tomar todas as decisões. E depois tive uma coisa absolutamente fundamental, que foi poder conhecê-lo e privar com ele. Acompanhei ensaios, passei algum tempo em estúdio com ele, acompanhei a preparação de concertos, vi-o e senti-o antes de entrar em palco. E em todos estes momentos tivemos várias conversas e partilhamos muita coisa. Mais do que tudo, foram esses momentos que me interessaram, porque é quando desaparecia parcialmente a figura. E nisso ele foi sempre muito generoso comigo porque me contou histórias, deu-me contexto, sem nunca me dizer como deveria interpretá-lo. Isso deu-me liberdade. Mas há também uma responsabilidade particular quando a pessoa que estamos a representar pode olhar para nós. Eu tentei sempre não trabalhar para obter a aprovação dele. Seria até perigoso. O meu trabalho era sim tentar compreender aquela pessoa, servir a sua história com o material que tinha e encontrar-lhe humanidade. Para a maior parte do público, ele era apenas um ícone que teve sorte.
Full look, H&M ATELIER. Jóias, ALCINO SILVERSMITH.
Passou por novelas, teatro e séries biográficas — em qual destes formatos se sente mais à vontade?
Não sei se quero sentir-me completamente à vontade em algum, honestamente. O conforto pode ser muito perigoso para um ator. Cada formato obriga-nos a resolver problemas diferentes. A televisão dá-nos velocidade e capacidade de resposta. Muitas vezes temos pouco tempo e é preciso chegar preparado e estar disponível para mudar tudo cinco minutos antes de gravar. O teatro dá-nos tempo. Podemos passar semanas a experimentar uma coisa que depois talvez nem chegue ao espetáculo ou fazemos um processo para chegar a sítios específicos, só para experimentar. Esse luxo de errar que só existe no teatro também é importante para um ator. Já o cinema ou uma série biográfica como a que fiz, permitiu-me um grau de preparação e construção muito diferentes. Há um pouco mais de tempo e profundidade para fazer as coisas. E é um tipo de abordagem que permite trabalhar numa escala muito pequena. A câmara vê coisas que às vezes nós próprios não sabemos que estamos a fazer. Aí podemos resolver uma cena só com um olhar ou com um gesto, por exemplo.
Neste momento talvez o audiovisual me esteja a entusiasmar mais, precisamente porque sinto que ainda ainda tenho muito território para explorar. Mas não quero perder o teatro. Acho que preciso dos dois, sem ter que escolher. Gostaria de conseguir circular entre todos sem que um território se tornasse mais confortável do que os outros.
O que é que a disciplina do teatro lhe ensinou que o audiovisual não consegue replicar?
Consequência. No teatro, aquilo que fazemos tem uma consequência imediata. Dizemos uma frase de determinada maneira e o ator que está à nossa frente vai responder de acordo. Assim como o público vai reagir de acordo. Essa impossibilidade de não poder apagar. Não existe “vamos fazer outra vez”. Isso obriga-nos a estar absolutamente presentes. E ensina-nos também a trabalhar com o erro. O teatro também me ensina constantemente que controlar uma cena não significa que ela esteja viva ou resolvida. Podemos ensaiar durante semanas e, naquela noite, alguma coisa muda. Um silêncio fica mais comprido. Uma pessoa reage de forma diferente. E temos de estar suficientemente atentos para aceitar isso e trabalhar com as circunstâncias que temos naquele dia. Além disso, há a relação direta e imediata com o público. Duas récitas nunca são exatamente iguais porque as pessoas que estão à nossa frente também fazem parte daquela noite. Essa energia não é replicável no audiovisual.
Apesar de que no audiovisual existe outro tipo de precisão e de detalhe que não existe no teatro, que gosto muito. Aliás, eu sinto que sou muito do detalhe na interpretação. E talvez por isso a televisão me fascine tanto. Mas a trabalhar em ambas, eu sinto o mesmo. Tenho que estar presente aqui, agora, e tenho de resolver com o que tenho.
Sobretudo e botas, MIGUEL VIEIRA. Top, da produção. Calças, H&M ATELIER.
Além de ator, é também músico — como convivem estas duas identidades artísticas em si?
Cada vez convivem melhor. Durante algum tempo achei que tinha de as organizar em compartimentos. Agora sou ator, agora sou músico. Hoje já não penso assim. Há ferramentas que passam constantemente de uma para a outra. Quando canto estou inevitavelmente a interpretar. Quando represento estou constantemente a trabalhar tom, ritmo, respiração, silêncios. Assumo cada vez mais que estou a usar ferramentas diferentes para chegar ao mesmo sítio. Passar uma emoção para as pessoas.
Quando escrevo, também há inevitavelmente alguma coisa de construção de personagem, de narrativa, de observação. Assim como quando canto. Ser ator traz-me mais consciência daquilo que estou a dizer, não só do que estou a cantar.Talvez a diferença principal esteja no meu grau de exposição. Quando interpreto uma personagem existe uma espécie de proteção. Posso esconder-me dentro dela, mesmo estando muito emocionalmente envolvido. Na música, sobretudo quando canto alguma coisa que escrevi ou que me é muito próxima, há menos sítios onde me esconder. É o Carlos, sem personagens que o defendam. Isso assusta-me um pouco mais. Mas talvez seja precisamente por isso que continuo a querer fazê-lo.
Há algum papel ou projeto, dos que já fez, que sente que ainda não fechou — que continua consigo?
Eu sinto que todos nós atores somos um universo de todas as personagens a que damos vida. Damos-lhes muito de nós e fica sempre um bocadinho de cada uma delas mesmo quando nos despedimos. E claro que há umas que nos marcam mais. No meu caso, o Tony está muito presente e acho que ficará sempre. Não porque sinta que tenha ficado alguma coisa por fazer, mas porque foi um projeto que exigiu muito de mim, foi o meu primeiro protagonista e chegou numa altura muito específica da minha vida. Houve um processo de casting exigente antes de saber que o papel era meu e, quando aconteceu, parei praticamente tudo para me dedicar só à personagem. Houve um grau de vínculo e dedicação muito grande a este projeto.
E depois há outra particularidade. Estamos a falar de alguém real que passei meses a observar. Começamos a reparar em coisas minúsculas, e é estranho porque o trabalho de um ator tem qualquer coisa de intrusivo nesse sentido. Parece que temos autorização para observar uma pessoa com uma atenção que normalmente seria quase desconfortável. E depois termina a rodagem e supostamente deixamos aquilo. Mas não deixamos completamente. Há personagens que não ficam só porque nos identificamos com elas. Ficam porque, para as fazer, tivemos de descobrir qualquer coisa em nós que ainda não conhecíamos. E talvez esta personagem tenha ficado comigo também por aquilo que representou pessoalmente. Foi um daqueles projetos que alterou a forma como sou visto pelos outros, pelo público. Mas também alterou a forma como passei a olhar para mim próprio e para aquilo que sei que consigo fazer.
Casaco, camisa e calças, ESTELITA MENDONÇA. Ténis, VEJA. Óculos, RAY BAN BY A$AP ROCKY.
Olhando para a frente, para onde quer levar a sua carreira?
Quero dificultar-me um bocadinho a vida, no bom sentido. Quero poder surpreender-me. Como qualquer ator, gostava que a próxima personagem não estivesse demasiado perto daquilo que já fiz. Mas acima de tudo, tenho cada vez mais curiosidade por personagens menos imediatas, mais desconfortáveis e onde possa desaparecer nelas, com zonas que eu próprio não compreenda à primeira leitura. Gostava muito que estivesse longe daquilo que as pessoas possam esperar de mim neste momento. Interessa-me cada vez mais essa ideia de transformação. Não necessariamente uma transformação exterior, mas sim olhar para uma personagem e pensar “eu não sei como fazer isto”, e é aí que provavelmente começa o verdadeiro desafio.
Gostava muito de fazer cinema. Quero continuar a fazer teatro. Quero trabalhar fora de Portugal, não como uma fuga daqui, mas porque quero conhecer outras maneiras de trabalhar, outros realizadores, outros atores, outras culturas de representação. E quero continuar a escrever, a fazer música. Mas também tento não construir demasiado a carreira na minha cabeça. Esta profissão já tem incerteza suficiente. Prefiro estar preparado para que, quando aparecer uma coisa que me mete medo, eu tenha ferramentas suficientes para dizer que sim.
Estou ainda no início. Tenho alguns trabalhos feitos, tive oportunidades muito importantes, mas sinto muito mais aquilo que ainda quero aprender do que aquilo que já fiz. Se conseguir continuar a ser desafiado a trabalhar, a fazer coisas diferentes e a escolher projetos que me obriguem a crescer, vai ser sempre por aí que vou querer ir.
Top, colete e calças, H&M ATELIER. Jóias, ALCINO SILVERSMITH. Botas, AMBITIOUS.
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