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A vida secreta dos homens: Transformei o meu fetiche por insufláveis de piscina num negócio

By Hallie Lieberman 24 Aug 2026

Ilustração de Mike Kim

Quando os meus pais me apanharam deitado nu numa baleia insuflável, ainda na adolescência, pensei que fosse o fim. Afinal, era apenas o começo.

Numa conversa com o Sr. C., um homem de 44 anos do norte do Alabama, Estados Unidos, fala-nos da sua excitação com o plástico. Quando era adolescente, desenvolveu um fetiche por brinquedos insufláveis de piscina. Após anos de tentativas, criou o seu próprio fato de orca. Agora, confeciona brinquedos insufláveis para outras pessoas com o mesmo fetiche.

As minhas primeiras memórias relacionadas com o plástico são de uma capa de chuva de vinil de que adorava quando tinha quatro ou cinco anos. A minha família apanhava-me frequentemente vestido apenas com uma capa de chuva. Quando tinha cerca de sete anos, descobri as minhas roupas de bebé num armário e percebi que a roupa interior de plástico era feita do mesmo material que a capa de chuva, e comecei a usá-la. O material fazia-me sentir tão bem e provocava sensações no meu corpo que eu nem sabia que eram possíveis. Lembro-me do meu pai a dar-me uma palmada no rabo e a dizer: “Estás a usar uma fralda?”, e da minha irmã a rir-se. Fiquei vermelho como um tomate.

Por essa altura, descobri que os brinquedos insufláveis da piscina da minha família eram feitos de um material semelhante ao da fralda. Sonhava estar dentro deles enquanto flutuava na piscina.

Numa viagem ao Havai com a minha família, por volta dos 13 anos, vi uma baleia insuflável na loja de recordações. Quando todos estavam a dormir, saí às escondidas e comprei-a. Enchi-a discretamente e fiquei nu em cima dela na casa de banho do hotel. De alguma forma, acordei a minha mãe. Ela bateu à porta e perguntou: “Estás bem?” Eu respondi: “Estou com dores de barriga”. Ela não fez mais perguntas.

Pouco tempo depois, estava em casa, no meu quarto, deitado em cima da baleia, quando os meus pais bateram à porta e pediram para entrar. Eu disse-lhes que não podiam. Eles entraram à força na mesma, pensando que eu estava a consumir drogas. Ficaram chocados com o que viram. A minha mãe foi a um terapeuta para perguntar sobre o meu interesse invulgar por plástico. Felizmente, o terapeuta disse-lhe que era apenas um fetiche.

Uma vez, quando era adolescente, tentei fazer um fato inflável de baleia. Acabei por conseguir aos 20 anos. Peguei num brinquedo de piscina em forma de orca, coloquei-o dentro de outro e selei-os a quente. No início, era apenas o material plástico que me atraía. Mas quando vesti o fato, percebi que gostava mesmo da pressão, da sensação de um abraço que envolvia todo o corpo, semelhante a um cobertor com peso.

Consigo entrar lá dentro e ficar simplesmente muito calmo. Depois de um dia stressante, posso refugiar-me num fato insuflável durante uma hora, e é tão bom como beber umas cervejas.

Por volta da altura em que fiz o fato, comecei a namorar com a minha atual esposa. Estávamos ambos na faculdade, a dar um passeio num parque, e ela disse: “Conta-me algo que nunca tenhas contado a ninguém”.

“Gosto de plástico”, respondi.

“Vou precisar de mais contexto”, respondeu ela.

“Gosto de plástico como fetiche”, disse eu.

Ela não disse nada durante 45 segundos. Tive medo de ter estragado tudo. Depois, ela quebrou o silêncio.

“OK. Está bem. Conta-me mais”, disse ela. Fiquei tão aliviado.

Numa viagem ao Havai com a minha família, por volta dos 13 anos, vi uma baleia insuflável na loja de recordações. Quando todos estavam a dormir, saí às escondidas e comprei-a. Enchi-a discretamente e fiquei nu em cima dela na casa de banho do hotel.

Ela aceitou-me e até começou a usar látex. Eu sabia que o meu fetiche por plástico era um pouco estranho, por isso, fiz um vídeo para mostrar aos meus vanilla friends (amigos tradicionais) um vídeo meu a dançar com o fato de orca. Era 2003, na época do AOL Instant Messenger. Coloquei um link para o vídeo na minha mensagem de ausência.

Depois disso, não pensei muito mais no vídeo. Então, dois anos mais tarde, a minha agora esposa ligou-me às 23h30 e disse: “Liga a televisão”. E eu respondi: “Entrámos em guerra?”. Liguei-a e vi-me a dançar no ecrã com o meu fato de baleia. O meu vídeo de 2003 estava a ser transmitido no programa Attack of the Show!, no canal G4, que já não existe.

Por volta de 2017, as pessoas começaram a perguntar como podiam arranjar um fato insuflável. Então, criei uma loja na Etsy, pensando que talvez recebesse uma encomenda de vez em quando. Recebi seis na primeira semana. Mas eu tinha um emprego a tempo inteiro, por isso não conseguia dar resposta a todas. Pedi a alguns dos meus colegas de trabalho para me ajudarem. Eles sabiam que eu tinha um fetiche por plástico e estavam ansiosos por dar uma mãozinha. Começámos a experimentar camisas e calças insufláveis. Comprámos elefantes insufláveis prontos a usar e modificámo-los para se tornarem fatos que dessem para vestir. Em alguns, é possível tocar nos órgãos genitais; noutros, não. Às vezes, a negação do prazer é a parte divertida.

Criei uma empresa para o meu negócio de insufláveis, mas mantive o meu emprego a tempo inteiro. A nossa cozinha servia de área de expedição e receção, o quarto de hóspedes era a sala de artesanato e a garagem era o armazém. Agora enviamos os desenhos aos nossos artesãos na China.

Fazemos testes de resistência em casa. Entro no insuflável e danço por aí. Fazemos os fatos o mais seguros possível. Tentamos sempre ter uma válvula perto da boca, no interior do fato, ou orifícios de respiração perto dos olhos, nariz e boca. Até agora, ninguém morreu nos nossos fatos. Obviamente, não queremos que isso aconteça. Mas este é um fetiche de alto risco. Todos os que compram um fato têm de assinar um termo de responsabilidade e ver um vídeo de segurança.

Recebemos encomendas de todo o mundo. As pessoas têm todo o tipo de fetiches. Alguns querem ser balões de desfile; outros, a rapariga mirtilo do Willy Wonka; outro, um macarrão penne com que se possa fazer sexo. Um fato completo custa até 3 000 dólares, mas uma camisa insuflável custa apenas 100 dólares.

Embora o negócio tenha um volume de negócios de seis dígitos, nunca ganhei realmente dinheiro com isso. Sempre foi um projeto por paixão. Os meus pais sabem do meu negócio. Eles dizem: “Uau, há outras pessoas que gostam disto?”. Por isso, o meu fetiche já não lhes parece tão estranho.

As pessoas interpretam mal este fetiche e pensam que somos todos zoófilos. Isso está muito longe da verdade. Não queremos fazer sexo com animais; queremos fugir da realidade para um mundo de fantasia, dentro de uma personagem que adoramos.

Traduzido do original, disponível aqui.

Hallie Lieberman By Hallie Lieberman

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