O trabalho dela excita-me. No nosso círculo de amigos, somos um casal normal e respeitável da geração millennial. Mas e se eles soubessem a verdade?
Se a sua parceira fosse acompanhante, apoiá-la-ia? E não só… gostaria de ouvir as histórias dos seus encontros? Nesta edição de A vida secreta dos homens, conversámos com Spencer*, um canadiano de 38 anos cuja esposa, Jenny, de 37 anos, é trabalhadora sexual a tempo inteiro. Ele apoia a atividade dela como acompanhante e chega mesmo a sentir prazer ao ouvir as histórias dos seus encontros com os clientes.
*Os nomes e os detalhes foram alterados para proteger o anonimato.
Spencer, 38, Canadá
Eu e a Jenny conhecemo-nos durante o ensino secundário, em 2003. Eu tinha 15 anos, ela tinha 14. Éramos os únicos dois jovens da nossa comunidade de imigrantes, conservadora e religiosa, na escola. Pouco depois de nos conhecermos, começámos a namorar. Éramos ambos virgens, por isso, no início, limitávamo-nos a beijar-nos e a dar as mãos, mas, alguns meses depois de começarmos a namorar, tivemos relações sexuais.
Ficámos juntos durante a faculdade. No primeiro ano, a Jenny começou a fazer piadas sobre sexo com outros rapazes. As suas fantasias foram-se tornando, aos poucos, uma parte essencial da nossa vida sexual. Uma noite, ela chamou-me para me sentar, olhou-me nos olhos, segurou-me nas mãos e disse que queria que as suas fantasias e tornassem realidade. Ela sentia que estava a perder o que os outros estudantes estavam a viver porque nos tínhamos tornado um casal tão cedo.
Depois de termos aberto a nossa relação, ela parecia uma criança numa loja de doces. Dormia com qualquer homem que a achasse atraente: colegas de turma, homens que a abordavam no ginásio ou no bar onde trabalhava, ou até mesmo amigos de amigos. Na maioria das vezes, ela arranjava encontros por conta própria, mas, às vezes, eu assistia. Fazíamos sexo a três com outro homem ou outra mulher, ou até trocávamos de parceiros com amigos. Nunca tive realmente vontade de fazer algo sozinho. Não queria ir atrás de outras mulheres. Adorava fazer sexo com a Jenny e gostava da emoção vicária de a ver com outros e de ela me contar tudo.
Uma das suas melhores amigas da faculdade, que sabia que tínhamos um relacionamento aberto, era uma sugar baby e incentivou a Jenny a tornar-se uma também. Nós os dois éramos contra. A Jenny achava que a natureza transacional iria banalizar a experiência. Mas a semente tinha sido plantada e a sua oposição foi-se esvaindo aos poucos. Disse-me: “E se eu só o fizesse uma vez, como uma pequena experiência divertida?”
Uma noite, ela chamou-me para me sentar, olhou-me nos olhos, segurou-me nas mãos e disse que queria que as suas fantasias e tornassem realidade.
Estava hesitante, em conflito e envergonhado com a perspetiva de a Jenny se tornar uma sugar baby, mas também achei aquilo perversamente emocionante. Depois de concordar em apoiar a sua nova aventura, fui às compras com a Jenny para comprar um vestido para o seu primeiro encontro sugar. Achei aquilo muito emocionante, mas, durante todo o tempo em que ela esteve no encontro, andei de um lado para o outro no meu quarto como um louco, a perguntar-me em que raio é que nos tínhamos metido.
A Jenny teve quatro sugar daddies em três anos, todos na casa dos 40 e dos 50. A maioria das relações foi de curta duração, variando entre semanas e alguns meses. Uma durou mais de dois anos, com um homem a quem chamávamos de Daddy. Era um empresário na casa dos 50, recém-viúvo. Eles tornaram-se muito próximos ao longo desses anos, muito para além do sexo. Cheguei mesmo a conhecer o Daddy em algumas ocasiões. Havia um grande apego emocional, para ambos, apesar da enorme diferença de idades.
E se eu só o fizesse uma vez, como uma pequena experiência divertida?, disse-me ela sobre se tornar numa sugar baby.
Depois da Jenny ter concluído o mestrado e de nos casarmos, ela dedicou-se à sua carreira empresarial e abandonou definitivamente o trabalho sexual. Continuou a ter relações com outros homens, embora não com tanta frequência como no início. Um dos meus melhores amigos da universidade, que na altura estava num período de transição entre relações, tornou-se um dos parceiros da Jenny. Confiávamos nele e não nos preocupávamos com a nossa privacidade. Tínhamos de manter o nosso casamento aberto em segredo perante as nossas famílias de imigrantes, conservadoras e religiosas.
A Jenny não tinha planos de voltar ao trabalho sexual depois do casamento, até que o Daddy lhe fez uma proposta. Ele disse que, se a Jenny concordasse em encontrar-se com ele uma vez, pagaria qualquer quantia. Ela respondeu-lhe um educado e firme “não”. Se se encontrasse com ele, teria de quebrar o limite que tinha estabelecido de não se envolver no trabalho sexual enquanto estivesse casada. Mas o Daddy lançou-se numa ofensiva de sedução, dizendo-lhe que ela era importante para ele para além de um objeto sexual comprado e pago. Aquela conversa deixou-a excitada e emocionada. Ela acabou por aceitar, e ele pagou-lhe uma quantia na casa dos cinco dígitos. A Jenny justificou-o dizendo: “Já quebrei os meus votos de casamento tantas vezes. Os votos diziam que não me deitaria com outro homem. Mas os votos nunca mencionaram que não o fizesse por dinheiro”.
O sexo com o Daddy era mágico. Ela disse que o seu trabalho na empresa nunca a tinha feito sentir-se tão viva como quando estava com ele. Brincou dizendo que é muito mais gratificante ter um cliente a agradecer-lhe com um orgasmo do que receber um e-mail de um agradecimento seco.
Durante dois meses, ela ficou preocupada com a ideia de aceitar outros clientes no trabalho sexual. Depois de um dia exaustivo no escritório, a Jenny dizia: “E se o trabalho sexual for a minha vocação? Não há nada tão gratificante para mim como ver os olhos de um homem a revirarem-se quando atinge o orgasmo e saber que fui eu a razão pela qual ele sentiu um prazer tão intenso.” Na noite seguinte, ela podia dizer: “Mas que raio estou eu a pensar? O trabalho sexual vai esgotar-me como qualquer outro emprego. Corro o risco de ser ridicularizada e rotulada de prostituta”.
Como era de esperar, a Jenny decidiu voltar a dedicar-se ao trabalho sexual — desta vez, como acompanhante. Contratou um fotógrafo profissional, criou um website, publicou um anúncio no Twitter e conseguiu o seu primeiro cliente.
Ela continuou a trabalhar no seu emprego na empresa enquanto conhecia novos clientes. Numas semanas, recebia sete ou oito homens diferentes, noutras, eram dois ou três. No total, 20 homens eram clientes habituais e tinha tantos clientes ocasionais que nem conseguia contar. Estava constantemente a recusar novos pedidos até que decidiu que não queria continuar a recusá-los, pelo que se demitiu do seu emprego diurno. Eu apoiei-a, apesar de ter as minhas dúvidas. Não estava preocupado com a parte de ela dormir com outros homens. Para um marido como eu, que retira satisfação sexual do facto de ela fazer sexo com outros homens, era super divertido estar num casamento aberto.
Já quebrei os meus votos de casamento tantas vezes. Os votos diziam que não me deitaria com outro homem. Mas os votos nunca mencionaram que não o fizesse por dinheiro, disse a Jenny
Mas o trabalho sexual como acompanhante, e não como sugar baby, é muito diferente. De repente, deparei-me com a perspectiva de que o amor da minha vida fosse pago por qualquer pessoa para dormir com ela. Era uma situação completamente diferente, que iria alterar drasticamente a nossa vida e ia exigir um esforço logístico absurdo para manter em segredo. As minhas dúvidas eram inúmeras. Achei que seria fácil manter em segredo o facto da Jenny dormir com amigos e colegas do ginásio do que esconder os seus casos com dezenas de clientes.
Apesar do website e a publicidade dela não mostrarem o seu rosto, ambos podiam dar pistas à nossa família e aos nossos amigos. Eu dizia-lhe: “Adoro sempre que fazes sexo com outro homem. É uma emoção tão grande. Mas é uma emoção porque não é algo constante. Será que tornares-te acompanhante vai fazer com que pareça trabalho e, se for esse o caso, isso vai começar a criar ressentimento?”. Até agora, o ressentimento nunca chegou.
A Jenny ganha agora mais dinheiro do que alguma vez ganhou no mundo empresarial e tem a oportunidade de viajar por todo o mundo, principalmente pela Europa. A sua base é em Paris. É fluente em francês e adora a cidade, por isso, é perfeito para ela. Os seus clientes voam da Alemanha, Inglaterra, Suíça e Suécia para a ver. Nenhum dos seus encontros é com homens locais — todos são homens ricos que têm villas no sul de Espanha.
Será que tornares-te acompanhante vai fazer com que pareça trabalho e, se for esse o caso, isso vai começar a criar ressentimento?, perguntei-lhe.
Ela tem uma regra segundo a qual os encontros do tipo "voo até ti" não podem durar mais de uma semana. A Jenny sempre cumpriu essa regra, o que não é difícil, já que a maioria dos homens só a quer por dois a cinco dias. Mas houve uma exceção. Um homem contratou-a para uma viagem de 10 dias a Tóquio. Era a quarta vez que ela viajava com ele, e eu fiquei muito chateado. Há mais de uma década que eu e a minha mulher sonhávamos em ir a Tóquio na época das cerejeiras em flor, e agora ela estava a fazê-lo com outra pessoa. Não lhe expressei quaisquer dúvidas, porque queria que ela se divertisse — e o dinheiro era uma loucura. Mas ela percebeu que eu estava ansioso, por isso teve uma conversa comigo e tranquilizou-me.
Quase sempre quero saber das suas experiências com os clientes. Se não o faço, é porque não há muito para contar. Não preciso de saber do seu encontro se for apenas por sexo e não houver nada de invulgar ou excêntrico envolvido. Há dias em que é apenas "Como correu o trabalho, querida?", seguido de "Correu bem", e fica por aí.
Noutros dias, quero ouvir todos os pormenores. Se o encontro for com um homem que queira uma experiência íntima, semelhante à de um casal, ou que seja particularmente excêntrico, quero ouvir mais. Os relatos dela podem demorar bastante tempo, o que pode servir como preliminares sexuais ou até mesmo como toda a atividade sexual.
Nenhum dos seus encontros é com homens locais — todos são homens ricos que têm villas no sul de Espanha.
Às vezes, ela conta-me quando os homens ultrapassam os limites. A Jenny adora um homem que saiba ser autoritário na cama, que saiba tratá-la com firmeza, que saiba assumir o controlo. Mas o homem tem de saber o que está a fazer e fazê-lo quando o ambiente e a atmosfera forem propícios. Num encontro, o homem tornou-se muito rude na cama, ao ponto de, depois de terminar, ter admitido isso. "Espero não ter ido longe demais", disse ele. Depois, tornou-se ainda mais agressivo durante a segunda ronda. O consentimento não foi, por si só, um problema. Mas comentários como "Mais devagar, por favor" foram ignorados. Ela já se recusou, sem dúvida, a sair com certos homens devido ao seu comportamento, mas a maioria dos casos deveu-se a razões de higiene ou simplesmente à atitude deles.
Embora a minha mulher já tenha tido relações sexuais com inúmeros homens, raramente tive relações sexuais a sós com outras mulheres. Quando isso aconteceu, foi com mulheres com quem já tínhamos estado juntos, enquanto casal, anteriormente.
Sou sincero com ela em relação ao facto de, frequentemente, sentir ciúmes, vergonha e constrangimento devido às relações que ela tem com outros homens. Esses sentimentos podem coexistir com, e até reforçar, a minha excitação e prazer. No entanto, pequenas coisas podem trazer a minha educação conservadora para o primeiro plano da minha mente, e é difícil conciliar o que a minha mulher faz com o que se espera de nós a nível social e religioso. Ainda podem surgir gatilhos — acho que nunca me livrarei totalmente deles — porque a sociedade nunca aceitará o nosso estilo de vida. Sinto-me um milhão de vezes mais à vontade agora do que no início, e sinto-me seguro e confiante em relação ao trabalho dela.
Para o nosso círculo social, parecemos um casal normal e respeitável da geração millennial. A nossa comunidade de imigrantes, conservadora e religiosa, não faz a mínima ideia da nossa vida secreta. Se soubessem a verdade, afastariam-se de nós.
Traduzido do original, disponível aqui.
_Top Esquire
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A vida secreta dos homens: Fui estrela de filmes pornográficos durante décadas. Agora, como Vagician, ensino os homens a fazer sexo
01 Jul 2026