Fotografia: Spencer Platt via Getty Images
Para um adulto com menos de 30 anos, é um pouco como falar da história por trás do Natal ou da Páscoa. Mas é o maior trauma na história dos Estados Unidos.
Nem a guerra de secessão (que arriscou dividir o país em dois); nem a Segunda Guerra Mundial (em que morreram mais de 400 mil soldados americanos, ultrapassando o milhão de baixas); nem os oito anos da guerra no Vietname (a primeira a ser perdida pelas forças armadas norte-americanas, e a primeira a dividir a população até entre famílias).
O ataque às Torres Gémeas do World Trade Center, a 11 de setembro de 2001, em Manhattan, Nova Iorque, foi a mais dolorosa farpa na autoestima do povo americano. E o mundo inteiro assistiu, entre o espanto e a incredulidade, ao ver a primeira torre a fumegar como uma chaminé. Falava-se de um avião, mas podia ser uma bomba, ou apenas um incêndio. Ninguém sabia ao certo.
17 minutos depois do primeiro Boeing atingir a torre do lado norte, às 9:03 locais — hora de almoço em Portugal, com toda a gente nos bares e restaurantes preso à televisão, sem perceber se estava a ver as notícias ou uma sequela de Assalto ao Arranha-Céus — um segundo Boeing atingiu a torre sul. Meia hora depois, um terceiro Boeing atingiu o Pentágono, em Washington, fazendo temer pela destruição concertada dos principais centros de poder dos Estados Unidos.
Depois do horror, e dos exemplos de heroísmo no meio da tragédia, seguiu-se a paranoia securitária. Estávamos num choque civilizacional, entre o mundo ocidental e o mundo islâmico. Samuel P. Huntington, que uma década antes havia escrito The Clash of Civilizations, argumentando que as guerras do futuro seriam combatidas entre culturas e não entre países, tornou-se subitamente leitura obrigatória. Vários atentados terroristas se seguiram, nas principais capitais do ocidente: Londres, Paris, Madrid...
As réplicas foram ganhando intervalos cada vez maiores... passaram 25 anos. Osama Bin Laden, Al-Qaeda, a própria guerra no Iraque, contra o regime de Saddam Hussein, são hoje memórias distantes. Mas nos Estados Unidos, em Portugal, onde seja, uma parte da população, um pouco por todo o planeta, nunca saiu do trauma, continuando a temer que o mundo islâmico esteja numa guerra existencial contra os valores ocidentais, reativando a era das Cruzadas.
O conflito vai sendo reacendido por organizações terroristas, estados falhados reféns de líderes fundamentalistas, ou apenas perturbados mentais. E ficamos sem saber exatamente se a guerra no Irão, os conflitos no médio oriente, com Israel e Palestina em destaque, ou o próprio renascimento de partidos de extrema-direita, abertamente nacionalistas, abertamente racistas, abertamente contra a imigração, não são apenas a continuação do 9 de Setembro a sangrar no coração da humanidade.
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